sobre gossip girl, carisma e duplas

THE SERENA & BLAIR SHOW


Gossip Girl, em tópicos:

– Essa história de que os livros são melhores é balela. Podem ter cortado muita putaria dos livros etc (só li os dois primeiros e, so far, nada de taaanto assim), mas o que é isso? Ter mais liberdade ao retratar a putaria juvenil atual á um ponto, mas não é tudo. O livro falha onde a literatura não pode falhar, né: nas palavras, na escrita nua e crua. É muito frio e distante. Até a gossip girl. Parece, de fato, fictício. E todas as qualidades que vou elencar abaixo são da série, porque no livro não tem nada… Em compensação, os defeitos são tanto de um quanto de outro…

– A grande vantagem de Gossip Girl é a dupla principal, Serena&Blair. No livro, ninguém é carismático, não dá, é muito pá-pum. Mas na série elas estão lá, bonitas, interessantes, carismáticas e inteligentes. Eu sinceramente não consigo ficar nessa de team Serena e team Blair e, ao contrário da maioria, gosto quando elas estão mais pra amigas do que inimigas (Serena faz muito a boazinha reformada pra dar uma briga legal). A amizade delas é mais legal do que qualquer casalzinho da série (Dan proto-pessoa-diferente? Nate, o clássico mocinho que não vai pra lugar nenhum? Chuck, mais um embuste pras menininhas que acham chato ser bom? PFFFFF). Na realidade, fora elas duas não curto muito nada na série (roupas e músicas legais, mas tipo, q). Não agüento com Rufus (cara de nada), Jenny (sonsinha), todas aquelas meninas genéricas…

A coisa mais surpreendente da dupla, no entanto, é o fato de ser bem interpretada. A Blake Lively, que faz a Serena, só tinha no currículo umas brinks e aquele filme “Quatro amigas e um jeans viajante” – o que é brinks também, né. O tiro que saiu pela culatra é que no livro (e na série, né) a Serena é aquela que todos olham quando levanta, que todas meninas querem ser e todos caras querem ter, é naturalmente mais popular, interessante, atraente. Mas Blair emplacou mais (só por curiosidade, a maior comunidade da Serena no Orkut tem 4 mil pessoas, a da Blair 14 mil). Claro que é fácil justificar isso: Serena bitch só em flashback, ela agora é boazinha, enquanto Blair continua manipuladora. Não tem como querer competir. Mas eu ainda acho a Serena muito mais cool. No duro. Ela tem uma aura de desligada, de lerdinha, que eu acho muito interessante. A risada e a voz delas são carismáticas; ela se veste melhor. Ela tem o cabelo mais bonito da televisão (babei neste cabelo, tem um peso, um “caimento” mágico, além de um tom de loiro muito clássico, elegante, distinto). A Blake tem só 21 anos e faz a reservada, lembrando um pouco a Serena (acho muito bonitinho, e não pseudo e chato a la Natalie Portman, quando a New York Magazine tenta perguntar dela e do cara lá que faz o Dan, e ela fala “Poxa, não é a NYM, não é pra ser classy?”).

Risada gostosa kkkk

Olha só esse trecho de uma entrevista que ela deu pra Capricho:

“Quando fiz Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, os fãs dos livros da série me viram no filme e, sei lá, talvez porque eu tenha o cabelo comprido e loiro, eles acharam que eu tinha que ser a Serena na TV e fizeram uma campanha na internet. Acho que Josh viu isso e me ligou. Ele me disse: ‘Escrevi uma série para você. Não vou dar o papel para mais ninguém’”

Eu entendo perfeitamente o Josh Schwartz. Eu também não faria sem ela. O interessante é que a Serena da série tem essa coisa etérea mágica que no livro, sinceramente, parece mais dumbness – o que também deve ser mais acurado, tipo do ponto de vista objetivo da “vida real”.

Já a Leighton Meester, de 22 anos, é impulsiva, impetuosa, com um currículo nada notável pré-Gossip Girl. O que eu gosto mais da Leighton são os olhos. Ela passa toda vulnerabilidade da Blair quando enche o olhão de lágrima, juro que me mata. Ela é bonita de um jeito clássico, bonequinha, se veste inspirada na Audrey Hepburn, e tem um toque de malícia que a Serena não tem. É claro que a Leighton é muito mais mundana que a Blair, mas as duas parecem compartilhar uma agressividade intrínseca, além de serem vivão.

Vulnerabilidade de matar um

Acho a Leighton um pouco brinks (com essa coisa de ser cantora também hehe), curtindo muito a vida de celebridade e tal, mas ela é tão direta e honesta, tão tangível, que acho que só se pode admirá-la, ainda mais levando em conta que “veio de baixo”.

Leighton com um cachorro horrível

Os outros nenli. NENLINENLINENLI. Só a Lily que tem uma coisa clássica que acho legal, mas é passável também. Estes coadjuvantes são um defeito tanto do livro quanto da série. Dá pra empurrar com a barriga, e vamos que vamos (a segunda temporada perdeu um pouco o fôlego).
Dizem que as duas não se bicam na vida real. Eu acredito, nada de inimigas e tal, mas apenas não se dão, elas não têm a ver mesmo.

– Outras duas coisas charmosas do programa: a Kristen Bell narrando (coisa fina) e geral se chamando por iniciais, acho legal.

(postado originalmente no alusões)

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melhor cena de alias

Estava revendo a segunda temporada de Alias, com certeza a melhor. Nela está meu episódio favorito, The Telling, que conta com uma seqüência fantástica, ao final.
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Considerações gerais sobre Alias, antes. A série começou bem, a primeira temporada foi vigorosa, inteligente. A segunda foi ainda melhor, com a entrada da excepcional Lena Olin e do David Anders. Daí houve todo um final apocalípctico – Sydney acorda em Hong Kong e descobre que se passaram dois anos com ela sumida, presumivelmente morta – e daí na volta não souberam concluir bem. A terceira temporada tem um enredo ruim, mas pelo menos conta com um bom par de vilões – Lauren e Sark – e algumas tensões na vida pessoal de Sydney. Isso é mais do que se pode dizer da quarta, que também começa após um final em suspenso, e é muito ruim. A quinta e última teve menos episódios (de médios para ruins). A sensação que dava era de que todos queriam pular fora da série. O J.J. Abrams estava super estourado em Lost, a Jennifer Garner casada e mãe, contracenando com o ex, Michael Vartan, e boatos dando conta do desagrado do Assfleck com isso… A Lena Olin, que eles tiveram que lamber o chão pra voltar pra fazer o final… Só me pergunto porque deixaram a série agonizar tanto antes de dar o golpe final – que graças a Deus foi dado.
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Bom, gosto de tramas de espionagem e de mulheres em ação, e acho que a Jennifer Garner tem carisma o suficiente para segurar a série, em partes; existiam pontos fracos, como o fato de ser muito maniqueísta, mas não era disso que Alias tratava, afinal. Quando, além de maniqueístas, as coisas ficavam mirabolantes demais, era deprimente. Considero a Jennifer Garner uma boa atriz, com bons recursos para trabalhar com ação (força física, agilidade) e simplesmente nascida para a comédia (ainda acho que esse potencial dela não foi explorado na sua totalidade, apesar do simpático De Repente 30). Gosto dela em cena e fora de cena – pena que casou com o Affleck.
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Pois bem, puxando o fio lá de cima: nessa cena, a Sydney chega em casa, cansada. Ela mora com dois amigos, Will e Francie, e não sabe que Francie na verdade foi assassinada e substituída por um dublê – alguém que assume a aparência de outra pessoa. Bom, Will descobriu e lutou com a falsa Francie (apanhou, na verdade). Quando Sydney chega, tudo normal. Pega um sorvete de café, senta ao lado de Francie, pergunta por Will e vai ouvir os recados no celular. Tem um de Will, falando sobre sua suspeita em relação a Francie. Nessa hora, Jennifer Garner deixa transparecer no rosto incredulidade, raiva e por último um esforço enorme para se controlar e então oferecer, naturalmente, um sorvete para a “amiga”. Ela aceita e então Syd diz que vai se trocar. O sorvete era uma pegadinha – a Francie verdadeira odiava sorvete de café. Sydney se dirige reto para o quarto e pega uma arma, mas a dublê também se lembrou do detalhe do sorvete e já está apontando uma arma para ela. Se segue o diálogo:
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_ Francie doesn’t like coffee icecream.
_No, she doesn’t.
_Drop the gun! Drop it!
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E daí começa um tiroteio.
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Gente, adoro essa cena, desde a hora que Sydney concorda, distante, quando Francie diz que Will saiu, tomando sorvete e ouvindo os recados, passando por suas expressões faciais, o “no, she doesn’t” e, claro, a luta. Acho que valeu a pena Alias ter existido nem que seja por esses quinze minutos finais da segunda temporada.
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Eu tenho certeza que Tarantino adora essa cena também. Ele era fã de Alias e já participou como ator um par de vezes – todas horríveis, claro, tão canastrão. A luta de Sydney e Francie é muito bagaceira, desajeitada, quebrando tudo na casa e endless, no final as duas estão acabadas de cansaço, prostradas. Me lembra muito A Noiva vs. Vernita Green, no Kill Bill Volume 1. Aquela coisa de uma empurrar a outra num armário cheio de pratos e caírem quebrando tudo. Sydney ganha por pouco e cai desmaiada – para acordar em Hong Kong e iniciar a decadência da série.

Confira o vídeo:



(publicado em 2 de janeiro de 2007 no alusões)

gilmore girls: 07×21 – bon voyage

Depois de todos os xiliques que o fim de Gilmore Girls causou vida afora, eis que chega o último espisódio. Além de toda a carga de ser o último, e isso por si só já causar ansiedade, veio cercado das piores informações possíveis. Começa que era para ser apenas uma season finale normal, que seria retomada na oitava temporada. O cancelamento foi decidido depois do episódio ter sido filmado. Notícias que dão conta de que Kelly Bishop e Edward Hermann não acharam o final satisfatório, de que não vai ter casamento nem nascimento de nenhuma parte e que a Lauren Graham palpitou no roteiro e diminuiu a quantidade de cenas java junkie deixaram meio mundo dos fãs freakin’ out.

Acho que tenho sorte de considerar a Lauren, no geral e no que importa, uma pessoa extremamente sensata e de concordar com ela sobre os rumos gerais da série. Imagino que quem baseava seu amor na série pela relação Luke/Lorelai, que considerava este o pilar central da narrativa, deve ter considerado a serie finale no mínimo decepcionante. Sorte minha que prefiro, sim, um roteiro que dê espaço para todos os personagens, que se centre no quanto aquela cidade e todas aquelas pessoas foram especiais para a série, do que algo novelão de amor no último episódio. O que eu considero em relação a LL é, sim, que eles poderiam ter voltado em algum episódio antes, não esta coisa de última hora. Fora isso, acho que foi bom.

Apesar de não ter sido calculadamente uma serie finale, como as coisas ainda estavam em negociação e essa possibilidade existia, creio, sim, que houve uma preocupação em dar um tom de final à série. O episódio é especial: já começa com a participação da Christiane Amanpour, algo que a Amy sempre quis. Não acontece nada de demais, mas também não consigo imaginar Gilmore Girls tendo um final bombástico; gosto dessa coisa de que a história toda foi um mero recorte dessas vidas, acompanhamos por sete anos e agora elas seguem em frente. Não é um fim. Não teria como ter uma oitava temporada sem muitas ressalvas, não com Rory formada e possivelmente vivendo longe… Acho que a quarta temporada, quando ainda estavam estabelecendo direito a dinâmica Rory-em-Yale, a série hesitou um pouco… A possibilidade de ter uma história centrada em Lorelai e Luke é meramente groupice sem sustância.

Deu nó na garganta vendo a abertura, vendo Rory freakin out ao pensar sua vida longe da mãe, vendo as duas dentro do carro, de repente, notarem toda a festa armada na praça, e a câmera vai mostrando todos os moradores lá, batendo palmas… E até Emily e Richard, que também acho que tiveram um final legal. Não foi “conclusivo”, não resolveram todos os problemas (que isso, como se resolve toda uma vida cheia de confusões e mágoas em um dia ou dois? além do que, Lor não estava dizendo ‘tchau’ a eles, como ela mesmo aponta em certo momento).

A ficha caiu um pouco, mas ainda não toda. Sete anos, 152 episódios, sete temporadas. Tava pensando com Joanna dia desses que Rory entrou na faculdade quase que junto comigo, e foi passando, se formou, foram anos, afinal… E agora acabou. Is this it.

gilmore girls: 07×01 – the long morrow

um dia desses, nesta semana, passei pelo quarto e minha irmã estava assistindo gilmore girls na warner. meio hipnotizada, parei também. depois comentamos desta idiotice de ficar vendo na tv quando podemos ver na nossa ordem, o que quisermos, quando quisermos, porque tenho todas as temporadas em dvd. mas tem algo de mágico em assistir algo assim, de surpresa, uma reprise aleatória (vi tipo 1 minuto, era algo da sexta temporada).

passei uns dois dias sentindo uma saudade louca de gilmore girls. eu fico tranks boa parte do tempo, mas tem vezes que me sinto SUFOCADA DE AMOR por essa série (isso meio que acontece com tudo que gosto muito, de vez em quando sinto tanta identificação que me desnorteia). esta é tipo minha série, e eu vejo várias, gosto de várias, tenho algumas aqui para rever sempre, mas como esta não tem igual.

tinha esse plano de rever gilmore girls toda em seqüência, tipo uns dois ou três por dia, mas quando eu estava acabando a primeira arrumei um emprego que estragou tudo. hoje decidi assistir algo e fiquei meio em dúvida do que. já vi todos os episódios, e as três primeiras temporadas sei de trás pra frente (já revi a terceira n vezes), então fiquei entre as últimas. resolvi assistir a última. eu só comecei a baixar gilmore girls na sexta temporada. até a quinta eu via na tv, na warner, na quinta-feira. pensei em retomar da quarta, que seriam as que eu tinha visto menos, mas não faz sentido pq não vou seguir. sortei uns números aleatórios no random.org, mas admito que trapaceei (tipo, o primeiro episódio que jason “mala” stiles aparece? acho que não.

acabei me decidindo por ver a sétima temporada, que é realmente a que conheço menos.

ah, the long morrow. quando saíram as primeiras imagens todos queriam se enganar e acreditar que aquele braço ao redor da lorelai não era do christopher – apesar da temporada anterior ter terminado com ela batendo na porta dele, depois de brigar com luke. puff, um segundo pra destruir os corações dos shippers, fãs e idolatradores da lor: a temporada, para ela, começa deitada aparentemente sozinha na cama, e aí chris vai aparecendo… é seco, duro e horrível, é de partir o coração e lorelai fica desconfortável o episódio todo, como nós, os telespectadores. assim que escapole da casa do chris, mega desconfiada, vejam a cara dela de FIZ MERDA:

ela chega em casa, encontra babette e continua desconfiada – porque ela sabe da briga, sabe que lorelai não dormiu em casa, sabe que luke não ligou… e quando sai, tchazan, lá está luke, fazendo o número mega didátido do “eu sou lento, ora bolas”. “there is no us”, diz lor para ele. “it was over last night and it’s over now. it’s over” – aqui buscando dizer que eles tinha terminado e, portanto, não havia traição: uma tecnicalidade que não engana ninguém. a melhor coisa para expressar o que GERAL sentia, a consternação mix mágoa, é a cara e o “oh” da sookie quando lorelai conta que dormiu com chris. lorelai tá tipo “nós brigamos” e ela fica “todos brigam”, “nós terminamos”, “ah, vcs voltam” e aí ela joga que dormiu com christopher. sookie morre, claro, mas uns dois segundos fala o BASICAO: não revele nunca.


depois rory chega lá mas não quer falar sobre a falta de logan – rory começa o episódio sozinho na cama e depois vendo o presente que o namorado deixou pra ele, um foguete brinks – e lorelai não quer falar sobre o término com luke, aí elas decidem “não falar” (“who says we always have to be talking?”, a piadinha com o talktalktalk que faz a série ser o que é) e para isso decidem praticar um esporte como a única maneira de evitarem a conversa – o que, no calor da hora, acaba saindo meio forçado. e é claro que dá errado. rory fica tentando descobrir o que o presente significa – ela finge no telefone com logan que entendeu o significado por trás do foguete, e lorelai sempre se esquivando de falar o que rolou com luke.


depois lorelai tá se “livrando das coisas de luke” e conta a versão resume dos fatos lá pra rory, que fica toda com pena (quando em um epi mais pra frente ela descobre que lorelai tipos deu pro chris ela fica toda puta, a rory sempre teve mais moral, sem ser moralista, que a lorelai, fora um senso de responsabilidade, no geral).

luke depois tem uma explosão didática com um cara que vai consertar a loja (“estou pensando, vocês não podem me dar um tempo???”). acho uó. luke não é lento, ele é sólido. ele sempre gostou da lor, e sempre fui super ligado em QUALQUER alteração de humor dela, até antes deles começarem a namorar, na época do crush e tudo mais, então fingir que não viu e que tava processando, mesmo com toda april stuff, não colou muito pra mim nunca.

aí vem o clueless do chris dizer que curtiu a noite. lorelai fica tipo “sai dessa, man” e vc pensa que vai ficar por aí, então a insistência dele e no final, no desenrolar da temporada, o fato deles acontecerem é meio brinks.

corta pra parte da MORTE. luke vai lá, todo empacotado, chamando lorelai para elope. e ela fica lá com aquela cara louca de fiz merda mix mágoa mix consternação que é a descrição deste episódio até que fala: i slept with christopher, pra luke parar de insistir. ele vira e vai embora sem um “a”. a lorelai fala até tímida, e depois olha pra baixo toda retraída, mas acho que ela tinha a necessidade de falar, sei lá, sempre achei que ela ia falar – da primeira vez que os dois se encontram no episódio ela nem consegue falar com ele direito, olhá-lo. termina assim, com luke dando a partida no carro e lorelai vendo, seco e triste.

toda a parte de rory é meio boring, aquela coisa do foguete, e será-que-eu-e-logan-estamos-juntos-apesar-dele-estar-em-londres, mas é sussa. rory por sinal tá com um cabelo mágico nesse episódio.

o braço da discórdia

foi um começo de tempora polêmico, mas eu considero bem bom. o episódio corre rápido, é emocionante e tal. a temporada começou bem e terminou bem, só no meio que teve uns tropeços.

(post originalmente publicado no alusões)