Bunheads e a volta de Amy Sherman-Palladino

A volta de Amy Sherman-Palladino à TV. Que fã de Gilmore Girls não esperou por isso? E vamos esquecer The Return of Jezebel James, que foi tirada do ar depois de somente três episódios e não teve muita chance de mostrar a que veio. Porque Bunheads, mesmo com dois episódios exibidos até agora, já mostrou – e em um clima bem parecido com GG.

O roteiro espirituoso, divertido e carregado nos diálogos está de volta, ainda que partindo de uma premissa muito mais absurda do que aquela que nos trouxe as garota Gilmore. A série acompanha a dançarina Michelle, que vive em Las Vegas e acaba aceitando um inesperado pedido de casamento de um admirador que não conhece bem e se muda com ele para uma cidadezinha costeira. Quando a gente supera essa implausibilidade (que é grande, mesmo considerando o fator bebedeira em Las Vegas), a série vai ficando mais familiar.

Estamos novamente em uma cidadezinha sem muitas opções com uma personagem matraqueando (com carinho) que é um pouco diferente dos demais moradores – e aquele senso de comunidade. Apesar da premissa, a dinâmica mãe-filha acaba ganhando uma releitura com a relação entre Michelle e a sogra Fanny (vivida por Kelly Bishop, sim, a eterna Emily Gilmore), que tem uma escola de balé que certamente vai acabar incorporando a nora. Com a premissa muito “dura”, às vezes as coisas acabam parecendo meio contritas – a mãe tem que morar com ele, para que quando Hubbell morre (pois é! Logo no piloto!) acabe forçando aproximação entre as duas. Especialmente porque ele vai deixar tudo pra Michelle na herança – justo quando já se pensava que nada mais iria segurar a moça ali.

E tem as adolescentes. Gilmore Girls era da WB, assim como a ABC Family voltado para um público mais novo, mas seus adolescentes eram diferentes, a começar por Rory. Mas, sim, tivemos o primeiro amor, o bad boy, o namorado da faculdade… Mas agora, com as quatro bailarinas alunas de Fanny que aparecem com mais destaque, parece que ASP vai mergulhar mais nesta busca pelo público jovem – quase como se estivessem ali para agradar a este demográfico e justificar sua existência no canal.

Como serão as histórias das adolescentes e como vão se integrar na série ainda não ficou muito claro. Com toda a coisa da morte de Hubbell tudo girou em torno disso e até agora a série só arranhou um pouco sobre a vida das garotas e vamos ter que esperar para ver como essa parte vai evoluir.

Além da cidadezinha, da protagonista esperta e faladora e da volta de Emily Gilmore (agora hippie e budista), a série traz de volta a trilha sonora de GG (Sam Phillips com seus lalalas, sim), Gipsy (de mecânica rude a vendedora super feminina), Mitchel Huntzburger (atrás do balcão de um bar) e, já dizem, o infame Jason. Vamos ver que outros atores vão dar as caras. Além dos alumni de GG, outras duas carinhas me chamaram atenção – Stacey Oristano, de FNL, aqui como uma ex de Hubbell, e Ellen Greene (uma das tias de Pushing Daisies).

Enfim, as diferenças existem aos montes, mas as semelhanças de ritmo, trilha e ambientação dão sim uma sensação de que estamos, de alguma maneira, de volta àqueele mundo – se não Stars Hollow, que afinal é diferente de Paradise, ao mundo de ideias de Sherman-Palladino. Bem-vinda de volta.

PS_e já voltou se envolvendo em FIGHT com ninguém menos que Shonda Rhimes, que criticou pelo Twitter a ausência de jovens negras na série. A ASP não levou bem, dizendo que é meio triste uma showrunner atacar outra showrunner, e a coisa ficou meio estranha. Para mais sobre o tema, clique aqui.

Top 10: Casais

Uma das graças de assistir um seriado é poder acompanhar o nascimento, desenvolvimento e tudo o mais de um casal. Sim, eu sei que tem gente que acha um saco & perda de tempo, mas para que se negar ao prazer de uma shipperiazinha aqui e ali? Sempre fui contra quem assiste série só por shipper, até porque dificilmente essa pessoa vai conseguir ficar satisfeita, mas mantendo as coisas em perspectiva não posso negar que curto muito.

O critério dessa lista é puramente pessoal, baseado nas histórias e essencialmente na EMPATIA. Possivelmente há spoilers aí, mas só para quem não acompanha/acompanhou as séries.

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the underdogs

Gente, tudo começa assim: um seriado, dois personagens de destaque e uma competição entre os dois que é inteiramente dominada por um dos lados. E eu, no meio, sempre acabo me sentindo meio GZUZCRISTO e começo a me afeiçoar aos personagens que o pessoal costuma deixar em segundo plano (sim, esse é um fenômeno de FORUNS, DEBATES, que só faz sentido na tela quando vemos que a repercussão ta influenciando nos enredos, o que não é de todo incomum). Começa de mansinho e daqui a pouco percebo que pronto, já estou vestindo a camisa. É mais forte do que eu. É kind of lame, eu sei, mas… Vamos aos casos.

1. 1. LORELAI e RORY (GILMORE GIRLS)

Gilmore Girls é a série da minha vida, ponto um. A série é centrada em Lorelai, a mãe, e Rory, a filha. Estatisticamente, eu diria que o nível de preferência aqui seria uns 85/15, com Lor na frente, claro. Em GG, os fãs (quero deixar claro que falo de um fã padrão, que eu vejo, não TODAS AS PESSOAS QUE GOSTAM etc) sempre foram lorelaimaníacos mas tratando a Rory com uma condescendência e uma tolerância ok – tipo, “todos” gostam da Rory também. A situação só mudava quando elas brigavam e na GRANDE BRIGA DE GG, quando Rory largou Yale, atingiu níveis inéditos. De repente, parecia que em todo fórum que eu estava todo mundo odiava a Rory. Era um absurdo total & absoluto. Já expus aqui minhas razões para achar essa perseguição uma doidice comandada apenas pelo fanatismo cego por Lorelai. Lorelai e Luke sempre foram blindados nessa série, por sinal… Reconheço aqui que é INDESCRITIVELMENTE mais fácil gostar da Lorelai do que da Rory: ponto 1 sempre sendo o CARISMA AVASSALADOR, como veremos também no segundo caso. Eu, particularmente, sempre gostei da Rory – e sempre pareci mais com ela também. Eu não sou um poço de carisma e desenvoltura, afinal de contas. Mas de cara sempre gostei mais da Lorelai, como, de resto, praticamente todos os fãs… Com o tempo, vendo que certas vezes certas injustiças de julgamento eram cometidas por conta desse AMORLOUCO, comecei a me posicionar várias vezes pró-Rory e hoje em dia fico meio confusa em escolher UMA PREFERIDA. Serião, nunca vi um personagem que todos amam tanto e defendem com toda passionalidade quanto a Lorelai. NADA é admitido contra ela. A Rory é total underdog, não é ODIADA em geral, como já disse, mas quando foi pro pau, apanhou feio. E sempre que foi pro pau eu estava no team Rory. Embora ame a Lorelai. Asi es o fenômeno que estou descrevendo aqui.

2. 2. BLAIR E SERENA (GOSSIP GIRL)

Outro clássico moderno rs. Acho que a divisão aqui seria ainda mais dramática: 90% dos fãs de GG parecem preferir Blair a Serena. Outro fator que contribui para tornar tudo, de resto, mais abissal nesse programa é que os fãs da Blair são muito traumatizados e noiados. Como bem sabemos, Gossip Girl é protagonizado pelas amigas (quase sempre) Blair e Serena. Assim é nos livros também. Acontece que nesse pequeno universo narrativo da society novaiorquina, Serena é a protagonista. Não em Gossip Girl, a série, mas no mundo em que eles vivem, mas acaba rolando uma contaminação – a Serena é a protagonista do gossipgirl, das fofocas, do grupo. Os fãs de Blair simplesmente não conseguem conviver com isso. Cansei de ver reclamação porque Serena aparece NO MEIO de um pôster. Em primeiro plano no box do DVD. Ou ver um vídeo no yuoutube sobre o estilo de Serena ao longo da série ser totalmente dominado por comentários como “por que não Blair?”. Eles adoram argumentar que a Blair “roubou a cena” (no caso, a Leighton Meester). Eles adoram que o casal mais adorado da série é Blair+Chuck e que Serena não consiga assentar com nenhum. É até um pouco doentio, eu acho. Eles só querem Blair, Blair, Blair. OK, eu entendo. Como no caso 1, é muito mais fácil gostar de Blair do que de Serena. Blair é sim um poço de carisma. Sim, Serena p´recisava de mais punch. Só que desde o princípio essas tiranias me incomodavam muito. Eu entendo, claro, que ninguém é obrigado a gostar de um personagem, mas falo aqui de um sentimento generalizado de desmerecimento que sempre me deixou irritada. Comecei a sempre tentar ver as coisas de uma maneira serenecêntrica, de maneira a não perder o eixo. Veja, não há problemas em se perder na blairmania. Fiquem todos à vontade, tenho certeza que é bem pago. É tipo um mundo paralelo, em que a cena em que a Serena tá mais uma vez dando uma força pra B, pedindo que ela não viaje e fuja pós-escândalo Chuck Bass, vira um “a Blair é demais”. Mas vamos entender que, enfim, Gossip Girl não é só isso. De vez em quando a gente tem que suspirar e levar adiante. Eu estou fazendo isso desde que os produtores decidiram investir em Chuck como o par romântico de Blair, algo que veio do nada, colou e hoje provoca tanta adoração que me deixa enojada – porque o que eu adoro a Blair eu desgosto do Chuck… (Inclusive, dois sofrimentos: um é não ser shipper de nada numa série. Em GG meu casal preferido é Nate e Blair, mas nem chego a torcer com AQUELA FORÇA. Outra é se ver fora do que é o CASAL DOMINANTE. Não gostar do casal que É PRA SER é um sofrimento infinito. Passei por isso com Veronica Mars, passo por isso com Blair, olha, não é fácil. No caso da Serena nem tem como ser shipper de ninguém. Meu relacioanemtno preferido até mesmo é a amizade entre b&s rs). Assim é a vida. Geral vai continuar assistindo GG pra ver Blair e chamando a Serena de burrinha nos fóruns da vida. ABS.

3. 3. MEREDITH, CHRISTINA, IZZIE (GREY’S ANATOMY)

Acontece uma coisa com Grey’s Anatomy… Eu adoro a série, curto muito, encaro com todos os excessos e cafonices que a Shonda nos joga… Mas nunca gostei muito de nenhum personagem (só do Karev e também da Addison, antes dela passar a ser levemente usada como alívio cômico). Digo, há o quinteto, e dentre eles o Karev era menos, então do quarteto principal eu sofria, e sofro, uma falta de identificação que dói. Meredith e todo aquele drama eterno, daddy issues e tal, UGH, sempre me cansou horrores. E adiciono que detesto, em linhas gerais, os fãs da Mer, que acham que são DONOS ABSOLUTOS da série. Fora que pra mim os shippers mais chatos são os MerDer. A Yang é a que menos gosto. Nem tem porque ela me irritar tanto… Faria o meu tipo. Irônica e tudo. Mas pra mim é um personagem cínico demais, não sei, nunca curti. Muito sem generosidade, e quando age generosamente parece tão PREMEDITADO e didático dentro da trama, é o fim. Comecei a me ressentir (admito) da panelinha que elas faziam bloqueando a Izzie. Esse caso é diferente porque eu comecei a me afeiçoar pelo underdog dentro das telas (o ódio a Izzie é mais recente e se mistura com o ódio à atriz, o que acho compreensível, mas eu gosto Katherine Heigl). Não tenho nenhuma identificação com a Izzie. Ela é tipo meio bobinha, coração grande, guiada pelos sentimentos, nada que eu relate muito. Mas comecei a gostar mais dela, acho que meio por falta de opção também. Depois veio o Denny, na época em que ele não era OVER, e eu gostava muito dos dois. E SEMPRE adorei Karev e Izzie (sendo que Yang nunca me convenceu com ninguém e particularmente detesto o Owen e MerDer sempre foi ok, mas MENOS né). Sempre foi sussa tudo isso, mas ultimamente ta particularmente difícil gostar da Izzie. Um motivo é a própria personagem, que tem o arco mais MALUCO do Seattle Grace. Nada de “crescimento” ou não. Vivem falando essas bobagens nos fóruns da série, mas eu não assisto nada pra ver ninguém “crescer”. E NEM VI. Fora a Meredith, que teve um arco de terapia e amadurecimento que era necessário para a TRAMA ANDAR (quanto mais agüentaríamos dela enrolando o Derek pro conta dos problemas com relacionamento?). Outro motivo é o ressentimento da turma pró-Meredith que ficam xatiados com o destaque dado a outra atriz. Esse pessoal também sempre odiou a Addison. Para eles, o nome Grey’s Anatomy e a Ellen Pompeo narrando devem garantir que tudo seja Meredith-meredith-meredith. E, bom, não é. Os outros personagens têm sua casquinha também, né? Mas um arco grande, de destaque, como o que a Izzie recebeu é encarado como afronta. Nem entro no mérito da história – Izzie e o câncer realmente teve momentos bem ruins e tal, mas a temporada melhorou no final -, mas vamos combinar que a maioria reclama porque “ta parecendo Steven’s Anatomy” ou babaquices do tipo? Ai tome-lhe reclamação contra a Heigl e tal e tal. E eu, na boa, espero sempre que aumentem os “secundários” e até os secundários mesmo. Inclusive, quem diria, nessa quinta temporada, LEXIE GREY foi um alívio diante de tanta coisa MALA que tava rolando na série… Para vocês sentirem o nível.

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4. SOOKIE (TRUE BLOOD)

Deixe-me dizer que esse caso também é diferente porque não é uma oposição. Há oposição, é verdade, entre Bill e Eric, sendo que Bill deveria ser a escolha natural e a audiência em peso está fazendo a outra escolha. Nesse caso to meio UNDERDOG também. Tipos, adoro o Eric, mas prefiro que ele fique só fazendo figuração no triângulo amoroso. Até porque triângulos são TAO CANSATIVOS e IGUAIS, em geral. Mas deixe-me voltar a Sookie. De uns tempos pra cá, todo mundo odeia a Sookie. Não sei o que está acontecendo. Acho que tem esse fator de ódio aos heróis/destaques (tem sempre alguém pra reclamar que TUDO ACONTECE COM ELA – oi, ela é a protagonista?). Todos se apaixonam por ela? A Rainha sabe quem é ela? Nossa, que saco etc. É relativamente comum essa ojeriza a protagonistas e personagens que, teoricamente, todos deviam gostar. Tipo Jack em Lost, Marissa em The OC, blas – o que fazer? Eles ficam horas na tela apanhando, são mais explorados. Os personagens secundários ganham missões menos didáticas, podem ser o sidekick engraçadinho ou whatever. Geral falando que Sookie é irritante e não tem muito argumento, né? O que posso dizer a alguém que acha a Sookie irritante? Cada um sabe com o que se irrita.

Eu particularmente gosto do personagem. Acho forte, bem construído, com uma outra derrapada mas vários acertos. Gosto da atuação da Anna Paquin, acho a maior injustiça atacarem isso, sim, temos ali uma atriz de primeiro time fazendo um trabalho muito bom. VERDADE QUE por vezes vimos a história Sookie/Bill emperrar e ficar repetitiva, mas isso se chama ROTEIRO FRACO, acho que já foi superado (e tome-lhe TRIANGULO na terceira temporada) e pra mim nunca respingou na Sookie enquanto personagem. Uma garçonete telepata que METE AS CARAS, não tem como não curtir. Apesar disso, a Sookie nem entraria num top 3 de personagens de TB pra mim. Isso que pega nessa insanidade que é a série: MUITO PERSONAGEM LEGAL.

CONCLUSÃO

Enfim. Esse post é muito pessoal e é meio bobagento mesmo. Apenas gostaria de manifestar minha opinião de que, sei lá, vamos ser mais tolerantes com as séries e os personagens. Não vamos nos afogar em fanatismos, ESPECIALMENTE em fóruns rs. Vamos gostar da Lorelai mas respeitar a Rory. Vamos tatuar Blair na bunda mas admitir que a Serena é necessária a Gossip Girl. E coisa e tal.

Olhaí minha amada Lorelai (Lauren Graham), prontinha pro musical Guys and Dolls, da Broadway, que estreia hoje. To louca é para ver a Lauren na TV de novo – ela deve participar de Let It Go.


A foto é da EW

A ABC Family comprou a temporada final de Gilmore Girls e vai passar de novo em Junho. A sétima temporada já chegou em DVD no Brasil (preço médio de R$ 130).  Quem quero ver de novo na TV é a Amy Sherman. O fracasso de The Return of Jezebel James foi muito fulminante. Give Amy a chance.

gilmore girls: 07×21 – bon voyage

Depois de todos os xiliques que o fim de Gilmore Girls causou vida afora, eis que chega o último espisódio. Além de toda a carga de ser o último, e isso por si só já causar ansiedade, veio cercado das piores informações possíveis. Começa que era para ser apenas uma season finale normal, que seria retomada na oitava temporada. O cancelamento foi decidido depois do episódio ter sido filmado. Notícias que dão conta de que Kelly Bishop e Edward Hermann não acharam o final satisfatório, de que não vai ter casamento nem nascimento de nenhuma parte e que a Lauren Graham palpitou no roteiro e diminuiu a quantidade de cenas java junkie deixaram meio mundo dos fãs freakin’ out.

Acho que tenho sorte de considerar a Lauren, no geral e no que importa, uma pessoa extremamente sensata e de concordar com ela sobre os rumos gerais da série. Imagino que quem baseava seu amor na série pela relação Luke/Lorelai, que considerava este o pilar central da narrativa, deve ter considerado a serie finale no mínimo decepcionante. Sorte minha que prefiro, sim, um roteiro que dê espaço para todos os personagens, que se centre no quanto aquela cidade e todas aquelas pessoas foram especiais para a série, do que algo novelão de amor no último episódio. O que eu considero em relação a LL é, sim, que eles poderiam ter voltado em algum episódio antes, não esta coisa de última hora. Fora isso, acho que foi bom.

Apesar de não ter sido calculadamente uma serie finale, como as coisas ainda estavam em negociação e essa possibilidade existia, creio, sim, que houve uma preocupação em dar um tom de final à série. O episódio é especial: já começa com a participação da Christiane Amanpour, algo que a Amy sempre quis. Não acontece nada de demais, mas também não consigo imaginar Gilmore Girls tendo um final bombástico; gosto dessa coisa de que a história toda foi um mero recorte dessas vidas, acompanhamos por sete anos e agora elas seguem em frente. Não é um fim. Não teria como ter uma oitava temporada sem muitas ressalvas, não com Rory formada e possivelmente vivendo longe… Acho que a quarta temporada, quando ainda estavam estabelecendo direito a dinâmica Rory-em-Yale, a série hesitou um pouco… A possibilidade de ter uma história centrada em Lorelai e Luke é meramente groupice sem sustância.

Deu nó na garganta vendo a abertura, vendo Rory freakin out ao pensar sua vida longe da mãe, vendo as duas dentro do carro, de repente, notarem toda a festa armada na praça, e a câmera vai mostrando todos os moradores lá, batendo palmas… E até Emily e Richard, que também acho que tiveram um final legal. Não foi “conclusivo”, não resolveram todos os problemas (que isso, como se resolve toda uma vida cheia de confusões e mágoas em um dia ou dois? além do que, Lor não estava dizendo ‘tchau’ a eles, como ela mesmo aponta em certo momento).

A ficha caiu um pouco, mas ainda não toda. Sete anos, 152 episódios, sete temporadas. Tava pensando com Joanna dia desses que Rory entrou na faculdade quase que junto comigo, e foi passando, se formou, foram anos, afinal… E agora acabou. Is this it.

gilmore girls: 07×01 – the long morrow

um dia desses, nesta semana, passei pelo quarto e minha irmã estava assistindo gilmore girls na warner. meio hipnotizada, parei também. depois comentamos desta idiotice de ficar vendo na tv quando podemos ver na nossa ordem, o que quisermos, quando quisermos, porque tenho todas as temporadas em dvd. mas tem algo de mágico em assistir algo assim, de surpresa, uma reprise aleatória (vi tipo 1 minuto, era algo da sexta temporada).

passei uns dois dias sentindo uma saudade louca de gilmore girls. eu fico tranks boa parte do tempo, mas tem vezes que me sinto SUFOCADA DE AMOR por essa série (isso meio que acontece com tudo que gosto muito, de vez em quando sinto tanta identificação que me desnorteia). esta é tipo minha série, e eu vejo várias, gosto de várias, tenho algumas aqui para rever sempre, mas como esta não tem igual.

tinha esse plano de rever gilmore girls toda em seqüência, tipo uns dois ou três por dia, mas quando eu estava acabando a primeira arrumei um emprego que estragou tudo. hoje decidi assistir algo e fiquei meio em dúvida do que. já vi todos os episódios, e as três primeiras temporadas sei de trás pra frente (já revi a terceira n vezes), então fiquei entre as últimas. resolvi assistir a última. eu só comecei a baixar gilmore girls na sexta temporada. até a quinta eu via na tv, na warner, na quinta-feira. pensei em retomar da quarta, que seriam as que eu tinha visto menos, mas não faz sentido pq não vou seguir. sortei uns números aleatórios no random.org, mas admito que trapaceei (tipo, o primeiro episódio que jason “mala” stiles aparece? acho que não.

acabei me decidindo por ver a sétima temporada, que é realmente a que conheço menos.

ah, the long morrow. quando saíram as primeiras imagens todos queriam se enganar e acreditar que aquele braço ao redor da lorelai não era do christopher – apesar da temporada anterior ter terminado com ela batendo na porta dele, depois de brigar com luke. puff, um segundo pra destruir os corações dos shippers, fãs e idolatradores da lor: a temporada, para ela, começa deitada aparentemente sozinha na cama, e aí chris vai aparecendo… é seco, duro e horrível, é de partir o coração e lorelai fica desconfortável o episódio todo, como nós, os telespectadores. assim que escapole da casa do chris, mega desconfiada, vejam a cara dela de FIZ MERDA:

ela chega em casa, encontra babette e continua desconfiada – porque ela sabe da briga, sabe que lorelai não dormiu em casa, sabe que luke não ligou… e quando sai, tchazan, lá está luke, fazendo o número mega didátido do “eu sou lento, ora bolas”. “there is no us”, diz lor para ele. “it was over last night and it’s over now. it’s over” – aqui buscando dizer que eles tinha terminado e, portanto, não havia traição: uma tecnicalidade que não engana ninguém. a melhor coisa para expressar o que GERAL sentia, a consternação mix mágoa, é a cara e o “oh” da sookie quando lorelai conta que dormiu com chris. lorelai tá tipo “nós brigamos” e ela fica “todos brigam”, “nós terminamos”, “ah, vcs voltam” e aí ela joga que dormiu com christopher. sookie morre, claro, mas uns dois segundos fala o BASICAO: não revele nunca.


depois rory chega lá mas não quer falar sobre a falta de logan – rory começa o episódio sozinho na cama e depois vendo o presente que o namorado deixou pra ele, um foguete brinks – e lorelai não quer falar sobre o término com luke, aí elas decidem “não falar” (“who says we always have to be talking?”, a piadinha com o talktalktalk que faz a série ser o que é) e para isso decidem praticar um esporte como a única maneira de evitarem a conversa – o que, no calor da hora, acaba saindo meio forçado. e é claro que dá errado. rory fica tentando descobrir o que o presente significa – ela finge no telefone com logan que entendeu o significado por trás do foguete, e lorelai sempre se esquivando de falar o que rolou com luke.


depois lorelai tá se “livrando das coisas de luke” e conta a versão resume dos fatos lá pra rory, que fica toda com pena (quando em um epi mais pra frente ela descobre que lorelai tipos deu pro chris ela fica toda puta, a rory sempre teve mais moral, sem ser moralista, que a lorelai, fora um senso de responsabilidade, no geral).

luke depois tem uma explosão didática com um cara que vai consertar a loja (“estou pensando, vocês não podem me dar um tempo???”). acho uó. luke não é lento, ele é sólido. ele sempre gostou da lor, e sempre fui super ligado em QUALQUER alteração de humor dela, até antes deles começarem a namorar, na época do crush e tudo mais, então fingir que não viu e que tava processando, mesmo com toda april stuff, não colou muito pra mim nunca.

aí vem o clueless do chris dizer que curtiu a noite. lorelai fica tipo “sai dessa, man” e vc pensa que vai ficar por aí, então a insistência dele e no final, no desenrolar da temporada, o fato deles acontecerem é meio brinks.

corta pra parte da MORTE. luke vai lá, todo empacotado, chamando lorelai para elope. e ela fica lá com aquela cara louca de fiz merda mix mágoa mix consternação que é a descrição deste episódio até que fala: i slept with christopher, pra luke parar de insistir. ele vira e vai embora sem um “a”. a lorelai fala até tímida, e depois olha pra baixo toda retraída, mas acho que ela tinha a necessidade de falar, sei lá, sempre achei que ela ia falar – da primeira vez que os dois se encontram no episódio ela nem consegue falar com ele direito, olhá-lo. termina assim, com luke dando a partida no carro e lorelai vendo, seco e triste.

toda a parte de rory é meio boring, aquela coisa do foguete, e será-que-eu-e-logan-estamos-juntos-apesar-dele-estar-em-londres, mas é sussa. rory por sinal tá com um cabelo mágico nesse episódio.

o braço da discórdia

foi um começo de tempora polêmico, mas eu considero bem bom. o episódio corre rápido, é emocionante e tal. a temporada começou bem e terminou bem, só no meio que teve uns tropeços.

(post originalmente publicado no alusões)