Gossip Girl, The Return of the King

Quantas vezes, e de quantos modos, poderá Gossip Girl decepcionar? Procurem aí nos arquivos e verão que minha relação com o programa é quase um hate-watching (termo que pego emprestado da Emily Nussbaum), mas infelizmente não consigo me desprender a ponto de simplesmente parar de assistir a série (sempre foi algo difícil para mim, mas o fiz com bastante sucesso, no geral, esse semestre). Então adoraria estar aqui escrevendo que para mim já deu, que não verei nenhum episódio da sexta temporada, mas não vou perder tempo mentindo. Vamos partir para o que interessa: como essa terrível season finale foi a cereja do bolo no que já não era lá essas coisas de temporada.

Tiro logo do caminho o grande “mistério” sobre quem a Blair ia escolher. Apesar de ter torcido para a série se dedicar a um casal novo que parecia interessante e apesar de nunca ter gostado de Chuck, todos os sinais começaram a ser dados de que mais uma vez, AINDA MAIS UMA VEZ, teríamos Blair e Chuck se encontrando em meio a desventuras – além da falta de esforço dos roteiristas em tratar o novo casal, que estava embolorado com dois episódios. O rei que retorna do título pode até ser, estrito senso, o Bart Bass, mas a verdade é que é o Chuck, de volta ao coração de B. OK. Mas como isso acontece, meus caros?

Com a dose usual de tramóias (vou tratar mais disso quando falar do desastre S.), um tanto de pressa e falta de consideração (era uma minoria, mas ainda existiam fãs que se dedicaram a Blair e Dan. Foi apenas usado e pronto) e sacrificando Dan para de alguma maneira fazer a transição pro status quo mais fácil? Sim, porque tiveram que jogar Dan nos braços de Serena para ficar melhor para retomar o outro casal. E, by the way, teve um término? Ou Blair simplesmente voou pra Paris e deixou Dan sendo atualizado pela Gossip Girl?

Daí que na hora H a Blair vai lá achando que vai fazer a grande revelação pra Chuck sobre como sempre o amou, e que os dois vão finalmente viver felizes para sempre, e o cara, que um bloco antes tava lá olhando anéis e pensando em reconquistar a ex, dá um passa fora porque levou uma dura do papai Bass, que disse que ele sempre colocava Blair à frente dos negócios. Essa é a versão amadurecida de Chuck, companheiros. Eu entendo que o personagem quer mostrar seu valor para o pai, mas não, né. Blair faz sua escolha na season finale e GG MAIS UMA VEZ consegue colocar ela atrás de Chuck…

A produtora Stephanie Savage disse que os roteiristas assistiram o piloto da série antes de se debruçar sobre a finale para tentar captar a essência do programa. Ela até diz que o passeio de trem de Serena no final do episódio é uma citação à clássica cena de S. chegando a Manhattan depois de sair do colégio interno. Os paralelos estão lá: Serena novamente está sozinha e sem amigos depois de meter os pés pelas mãos. Mas se naquela época S. voltava de uma época de dissipação e drogas, dessa vez ela parece estar mergulhando diretamente na vida desregrada, usando drogas, fazendo sexo com desconhecidos (era no que ia dar com aquele traficante, né?).

Nada novo aqui também. Não é a primeira vez que Gossip Girl flerta com uma queda de Serena. A Serena sofre nas mãos desses roteiristas a ponto de não ter outra maneira de encarar o personagem senão como alguém profundamente volúvel. E a volubilidade da loira esteve em alta na temporada, com toda essa coisa dela incorporar a Gossip Girl. Se no episódio anterior ela alienou Nate (e Lola ainda antes), agora foi a vez dela afastar Blair e Dan fazendo coisas como escanear o diário de B. para ter um trunfo contra ela porque estava irritava com o romance entre a amiga e o ex-namorado. E se Serena parecia ter aceitado, depois da chateação inicial, o novo casal, aqui ela voltou para a ideia de que está apaixonada por Dan. Acho que os roteiristas não tinham outra solução do que voltar a isso, né? Mas o lado esquema da S. estava a mil nesse episódio e o sexo dela e Dan serve aos dois propósitos – o amor e a armação, claro, porque ela filma tudo. Diz que deletou depois, mas vai vendo.

Piranhar Serena, ressucitar Darena/Chair e bagunçar com a amizade das duas, o triângulo central de Gossip Girl.

E Dan fica possesso por ter sido manipulado por Serena – na verdade, a loira mentiu para ele, mas ele transou com ela porque quis?? E, claro, ainda tem o o fato  de que levou um olé da Blair. Por conta disso, a última vez que vemos o Lonely Boy no episódio ele está num carro com GEORGINA SPARKS e provavelmente vai entrar com tudo no lado Malhação de GG na próxima temporada. Vamos ver o que vai acontecer, mais esquemas à vista? Só restou isso para essa série.

OUTRAS OBSERVAÇOES

– Sem comentários a Lola dando seu dinheiro da herança pra Ivy (!!!) para que ela vá atrás de Lily (!!!) porque a tia teria prejudicado sua mãe. Lola pelo jeito não vai voltar – a atriz estará em uma nova série – e vamos nós, espectadores, ficar com essa trama horrenda para encarar na sexta temporada.

– E Lily, por sinal, se tornou subitamente bígama com o retorno de Bart – e, chocantemente, resolveu retomar um casamento que já estava falido com um cara que estava se passando por morto (por qualquer motivo que seja, não interessa). Meu interesse nesse triângulo amoroso é apenas nenhum. Faz tempo que um desses três foi um personagem interessante – se é que já foram, mesmo descontando pro Bart o tempo ausente, risos.

– E a Blair assumindo a empresa da mãe, do nada? Sem comentários. Nem mesmo ainda consigo acompanhar o status profissional/estudantil desses personagens. Lembram que chegamos a ter Blair na faculdade?

– Nate parece ter uma boa pista sobre a identidade da Gossip Girl. Aposto que não dará em nada (me pareceu da entrevista da Savage pro TV Line que ela gostaria de poder desmascarar a blogueira em algum ponto, provavelmente no final, mas disse que essa revelação é maior do que a série e precisaria ser aprovada por altos escalões…)

Gossip Girl
CW
The Return of the King
Escrito por Sara Goodman
Dirigido por J. Miller Tobin

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The Good Wife – In Sickness


Eu perdi a pena pela Alicia – e me incomodei um pouco com The Good Wife – na hora em que ela disse que “Isso torna as coisas mais fáceis” porque, meu Deus, se não é bem isso aí. O programa estava “enganchado” com o casamento de Alicia e Peter e com a simples falta de coragem (ou maneiras) de levar para algum lugar o interesse dela por Will. Ao fazer Alicia perdoar a traição de Peter e resolver aceitá-lo novamente, mas sem precisamente voltar a cair de amores por ele, “The Good Wife” ficou presa nessa situação e a maneira que encontraram para balançar foi com essa traição das antigas entre Peter e Kalinda (“minha melhor amiga”, enche a boca para dizer a Alicia) tirada do bolso como um coringa.

Claro que Kalinda não era melhor amiga de Alicia na época, como Peter faz questão de dizer (e faz diferença, claro), e é verdade que Alicia não tem amigo nenhum (círculo de amizade zero, chega a me dar medo) e só assim para esse companheirismo estar no nível BFF… Alicia tem obviamente todo o direito de estar irritada, mas ela não perde muito a linha – ela continua sendo a ‘boa mulher’, sensata, muda as coisas de Peter, paga os três meses de aluguel dele, explica tudo. A única hora que ela desaba é diante dos filhos – quando Grace tem a cretinice de dizer, ainda que ela tenha somente uns 13 anos acho injustificável, que a mãe deveria “protegê-los mais”. A série passa episódios e episódios mostrando como Grace é amadurecida para colocar uma fala fácil dessas na boca da menina, tão facilmente jogando muita culpa nas costas de Alicia. Achei que faltou sutileza, mas a cena foi bonita de qualquer maneira e qualquer emoção estava valendo.

O confronto direto entre Alicia e Peter não foi lá grandes coisas. Ela revela o que sabe, ele obviamente não nega, mas insiste que mudou, que isso foi há tempos, que a ama muito (esse amor que desabrochou novamente, como ele mesmo disse a Kalinda, mas a gente nunca viu exatamente como, porque, se é mesmo… O Chris North fica tão pouco na série que mal dá pra sentir)… O segundo confronto foi um pouco melhor, com o Peter querendo dar uma insinuada que Alicia está tão disposta a ser a vítima (rs) que não sobra nada para ninguém dizer. “Existe sim, Peter, diga algo que me faça me apaixonar por você de novo!”, ela grita, enquanto ele vai embora.

Outro momento de quase decepção foi quando Alicia volta para casa depois de expulsar Peter e bota uma música. Achei que ela ia sair dançando pela casa e que eu ia morrer assistindo isso, mas felizmente foi só a trilha sonora pruns dois segundos de levanta a cara para Alicia se preparar para afundar no trabalho – e ela esteve bem agressiva no caso da semana, que novamente trouxe de volta a Martha Plimpton, sempre bem.

E fora tudo isso ainda tenho que refletir sobre o que significa a cena final, um pareamento totalmente estranho entre Peter e Cary. Peter obviamente sabe que existe algo entre Alicia e Will – pode não ser algo tão mundano quanto SEXO, mas ele não deixa de ter razão quando afirma que isso “é sobre Will”. De certa maneira é também. Só posso imaginar que ele vá querer usar o Cary para de alguma maneira obter alguma informação, alguma vantagem, qualquer coisa, ligado a Alicia, Will, à empresa. Vamos acompanhar.

No todo, um episódio decepcionante. Espero que a hora da verdade entre Kalinda (que arrumou mais um flerte, um caso sério essa moça) e Alicia seja mais forte. E que Alicia também seja mais forte para seguir adiante para qualquer lado – ficar em cima do muro no casamento para sempre não dá mesmo.

fringe – 03×12 – concentrate and ask again

 

O episódio já começou com uma nota estranha, com Olivia e Nina trocando figurinhas sobre romances, e vou lhes dizer porque isso me incomoda – e, na verdade, é algo que perpassa todo o episódio. Que Nina chegue já chutando a porta e se metendo nas coisas pessoais de Olivia, ok, mas que Olivia se abra a isso tão facilmente me incomoda demais. Os últimos episódios, e esse em especial, foram basicamente Olivia se lamentando pra qualquer um, pelo jeito. Bem, acho que agora já podemos dizer que não são mais “coisas pessoais”, já que está afetando o destino do universo…

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grey’s anatomy – 07×11 – disarm

Grey’s Anatomy voltou sem muita bala na agulha – o episódio é até correto e segue a cartilha Grey’s de emoção, mas sofre de uma falta de personalidade terrível. Ademais, acontece tudo que imaginávamos que ia acontecer – Cristina voltando, Meredith ainda estranhando tudo, Callie dando um pé na Arizona – e nada de muito diferente. A grande história médica do episódio leva a refletir sobre se as “pessoas más” merecem receber o mesmo tratamento dentro de um hospital – um tema em si também batido e velho e que, sinceramente, é muito TV. Não imagino uma discussão dessas durante uma cirurgia entre médicos de verdade – e achei fora do lugar até para Grey’s.

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the big one – considerações sobre a finale e a quinta temporada de dexter

Acho que a temporada horrível me preparou para esta finale de Dexter, que foi apenas decepcionante, mas não ofensiva. Acredito que o tédio final revelou que a maioria das pessoas it’s only in it pelos ganchos e reviravoltas, e tudo bem, mas como para mim Dexter só tem tido falsas reviravoltas este prazer acabou há tempos. O que parecia uma jogada arrojada e ousada – a morte de Rita na season finale passada – apenas trouxe a série de volta ao seu status quo e pelo jeito vamos continuar jogando desse jeito até o Showtime ou Michael C. Hall cansarem. O sucesso de audiência depõe contra, a esta altura, porque os caras parecem dispostos a ir até quando der e não até quando deveriam. Me repito aqui quando volto a dizer que nenhum programa se beneficiaria tanto de uma data final quanto Dexter: o conceito simplesmente não é amplo o suficiente para fazer com que a série continue indefinidamente sem comprometer sua qualidade – que, a meu ver, já está deixando a desejar há umas duas temporadas.

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gossip girl – 04×08 – juliet doesn’t live here anymore

Os roteiristas de “Gossip Girl” estão “enganchados” em temas muitos chatos nessa temporada. A linha por trás de tudo é uma vingança que Ben, irmão de Juliet, planeja contra Serena. Até agora não tivemos nada de efetivo sobre isso – o cara quer ferrar a S. porque, presumivelmente, foi prejudicado por ela no passado. E ele não liga nem por passar por cima da família para conseguir o que quer!

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the walking dead – 01×02 – guts

Um episódio mais plot driven que o primeiro e, portanto, menos contemplativo, que traz ainda mais para perto de si comparações com filmes & séries pós-apocalipse (citei no comentário da premiere “Survivors”, da BBC, e aqui a similaridade está ainda mais evidente). Em “Guts”, nós vemos Rick assumir um papel de liderança e guiar um grupo isolado para uma possível salvação, além de testemunharmos as velhas brigas e disputas de poder dentro dos grupos nesse tipo de situação extrema.
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