Gossip Girl: A princesa, o sapo, o bêbado…

Está ficando difícil acompanhar Gossip Girl… Um dia é uma coisa, outro dia é outra… Um mês atrás a gente discutia se Dan e Blair poderiam decolar e no episódio de ontem Dan já está quase flertando com Charlie e Blair está em um triângulo com Chuck e o príncipe Louis.  Os demais personagens continuam perdidos – Vanessa aparecendo sobre os ombros de todo mundo, Serena com um ódio desproporcional e sabotando Blair em mais uma edição (mal feita) da guerra fria que vez ou outra se torna a amizade das duas. Os personagens estão todos fora de sintonia.

Fora tudo isso, existe um grande problema que atende pelo nome de Chuck. É o grande nome do episódio por motivos óbvios – comportamento extremo, abusivo etc e tal. Não posso esconder (e nem tenho como) que nunca gostei do Chuck. Anti-herois e bad boys são coisas muito mais difíceis de acertar na mão do que mocinhos. Eu não aguento mais esses personagens rasos que têm um “lado dark” – precisamente o caso do Chuck, querem nos fazer crer os roteiristas.

Porque, veja, eu até entendo a raiva dos Chair/fãs de Chuck. O personagem nunca deixou de ser canastrão e sempre também foi um pouco cretino (vide episódio do hotel), mas pelo menos tinha deixado esse lado abusivo de lado há um bom tempo. Aí chega nesse episódio “The Princess and the Frog” e Chuck conhece mais uma jornada “sombria”, “atormentada”, rumo ao fundo do poço. Isso porque começou a temporada se reerguendo (um homem simples, frugal, uma nova vida etc)… Os roteiristas estão doidos e exageraram muito na tinta ao botar Chuck quase descendo a mão na Blair e tentando agarrá-la. Você pode odiar os caras por “fazer isso com o Chuck”, mas a verdade é que Chuck foi abusivo – coerente ou incoerente que seja. “Ah, mas ele não bateu de fato”, etc, MEU AMIGO. Vamos respeitar os telespectadores, né. Porque agora entrevistas afora o Joshua Safran quer reforçar que aquilo ali foi só o Chuck em um momento perdidão, que ele nunca bateria na Blair e que Blair saiu correndo, mas sem medo. Se ela tiver algum medo é pelo que Chuck pode fazer a si mesmo!, diz o gênio. Não é mistério que Gossip Girl esteja tão ruim, comandada por gente assim…

Meu interesse por uma jornada “sombria” que vá levar a uma redenção do Chuck é zero, mas agora que vamos seguir esse caminho fingindo que a cena de ontem foi apenas Chuck sendo autodestrutivo e não incontrolavelmente abusivo ficou ainda pior, né. “Você é minha”, blablabla. Mas deve funcionar para alguns, imagino… Tem gente que acha o Chuck um heroi (a moça do E! o comparou ao Rhett Buttler?? Meu Deus do céu) e tem gente ainda com pena dele, tão sozinho, todo mundo dando as costas, entrando numa cilada… É tudo por amor, é épico…

***

As coisas estão tão bagunçadas em Gossip Girl que nem sei mais pelo que torcer. Depois de ignorarem tão solenemente Dan e Blair, nem vejo como entrariam aí novamente; o príncipe obviamente não vai a lugar nenhum. Só resta crer que vão realmente dar um jeito de fazer a Blair voltar para o Chuck, a despeito de tudo que aconteceu. Ânimo zero. A história de Raina (como disse o Vulture, porque é pior que sua mãe tenha morrido do que que ela tenha te abandonado?) também está no limite do tédio. Sobram as desventuras de Charlie (vai se dar mal, Vanessa vai ganhar alguma redenção, creio) e o que quer que resolvam fazer com Serena – a episódios do final da temporada, é preocupante não saber o que será? Vão jogar pro Dan de novo (que carrossel de emoções a vida sentimental deste rapaz…), vai ficar só de sidekick das histórias de Blair, vão inventar alguma arte?

A polêmica cena – que eu acho somente repulsiva, mas o Safran quer que eu ache um interessante desenvolvimento para o personagem CHUCK BASS, pressionado por tantas perdas e más notícias, desorientado (até a direção tava doidona), entrando em uma jornada que com certeza vai levar a auto-conhecimento e blablablabla.

A promo do próximo (SHATTERED BASS, ahhaha), “meu sobrinho está à beira de um precipício”, cês centiram a vibe

Dare to Dair…

Gossip Girl está enfrentando mais uma temporada incrivelmente sem inspiração. Jogando Serena para lá e para cá com conflitos bobos, sub-utilizando mais uma vez os personagens adultos, perdendo Chuck em tramas totalmente sem graça, e meio repetitivas em fundamento, sobre as indústrias Bass… Enfim, ninguém está tendo uma temporada muito boa na série da CW e eis que surge o que seria impensável… um possível casal com Blair e Dan.

As primeiras menções de Dair surgiram dos próprios fãs. Fã é um negócio sério – tem shipper de qualquer coisa, mesmo de “casais” que nunca existiram e nem tiveram qualquer traço de existência. “Dair” para mim começou assim, vendo gente comentando em fórum e vendo fã vídeos etc. Não consigo deixar de pensar que os próprios roteiristas de Gossip Girl viram o bafafa, que foi, sim, crescendo, e resolveram usar. Por que Gossip Girl, como todas séries adolescentes, brinca com várias combinações, mas mesmo assim é muito estática nessas coisas de romance. Desde o início da série existe a sensação de que Blair vai terminar com Chuck, Serena com Dan e tem o Nate ali no meio servindo a todos os propósitos de encher outras combinações. Nas séries teens tem sempre quem fica com o namoradinho adolescente, mas sempre achei meio exagero em GG ser tudo tão fixo assim, tão claro assim, tornando todo o resto meio supérfluo – todos os namorados da S., por exemplo, perdem qualquer peso, misturando tudo com os roteiros que têm andado muito fraco, e até com o Nate, que podia ser big deal, foi assim.

Inclusive, que lembrança, encerraram a temporada dando uma piscadinha para a possibilidade de voltarem a lidar com Serena e Dan, depois dela terminar com Nate, e o Dan ainda está, em teoria, interessado num comeback com a loira, mas os roteiristas estão se permitindo brincar com essa outra possibilidade, muita aterradora para alguns… (especialmente para os shippers bluck, que acham que são os donos da série). Eu acredito que a série vai só brincar com isso. As histórias de Dan e Blair estão sendo, sim, as melhores da temporada, porque têm bons diálogos, um clima interessante, química e certo humor. Inclusive na cena do fatídico beijo (“For crying out loud, Humphrey!”), eles ainda vão um pouco pelo engraçado. Na volta, ou o beijo significou algo para um ou para os dois, ou simplesmente os dois vão sair fazendo careta e jurando esconder para sempre o que aconteceu, voltar aos seus rumos e quem sabe sair do armário com a amizade… E eu acredito que vai ser esse último caminho, o que é um pouco triste.

Ao mesmo tempo em que dá gás para Dair, a série coloca Chuck novamente em um caminho de decadência e vulnerabilidade que tende a levá-lo, surpresa surpresa, de volta a Blair… Mais uma vez. Ainda existe essa sensação no ar de que Chuck e Blair são o casal “endgame”, o que é compreensível pelo tempo & reviravoltas envolvidos, mas eu particularmente nunca gostei muito deles juntos. Gossip Girl pode, sim, aproveitar a oportunidade e dar uma guinada na série. Sempre acho interessante quando uma série muda tão completamente uma perspectiva assim. Estão citando corretamente Joey e Pacey (Dawson’s Creek), aconteceu também com Veronica e Logan em Veronica Mars (para meu espanto e desgosto, assumo, rs) e vez por outra as séries preferem mudar os pareamentos, o que soa mais realista. Infelizmente vamos ter que esperar três semanas (SIM!!) para ver a continuação…

UPDATE: Promos são enganosas, mas vendo essa promo do próximo episódio parece que pelo menos vai ser big deal

fringe – 03×12 – concentrate and ask again

 

O episódio já começou com uma nota estranha, com Olivia e Nina trocando figurinhas sobre romances, e vou lhes dizer porque isso me incomoda – e, na verdade, é algo que perpassa todo o episódio. Que Nina chegue já chutando a porta e se metendo nas coisas pessoais de Olivia, ok, mas que Olivia se abra a isso tão facilmente me incomoda demais. Os últimos episódios, e esse em especial, foram basicamente Olivia se lamentando pra qualquer um, pelo jeito. Bem, acho que agora já podemos dizer que não são mais “coisas pessoais”, já que está afetando o destino do universo…

Continuar a ler “fringe – 03×12 – concentrate and ask again”

grey’s anatomy – 07×11 – disarm

Grey’s Anatomy voltou sem muita bala na agulha – o episódio é até correto e segue a cartilha Grey’s de emoção, mas sofre de uma falta de personalidade terrível. Ademais, acontece tudo que imaginávamos que ia acontecer – Cristina voltando, Meredith ainda estranhando tudo, Callie dando um pé na Arizona – e nada de muito diferente. A grande história médica do episódio leva a refletir sobre se as “pessoas más” merecem receber o mesmo tratamento dentro de um hospital – um tema em si também batido e velho e que, sinceramente, é muito TV. Não imagino uma discussão dessas durante uma cirurgia entre médicos de verdade – e achei fora do lugar até para Grey’s.

Continuar a ler “grey’s anatomy – 07×11 – disarm”

Melhores do ano: 8 – 30 Rock

“30 Rock” parecia ter chegado a uma encruzilhada criativa na quarta temporada, muito sem inspiração. Mas mesmo naqueles sombrios dias Tina Fey & cia conseguiam nos presentear com momentos melhores do que os de muitas séries de comédia que vivem sendo indicadas a prêmios. Nunca pensei em abandonar a série, nem mesmo remotamente, “30 Rock” nunca chegou na decadência que, por exemplo, a co-irmã “The Office” enfrenta. E a quinta temporada começou azeitada e já neste primeiro terço teve um daqueles momentos mágicos em que a série emplaca episódio sensacional atrás de episódio sensacional. Desde agora, a melhor temporada de “30 Rock” desde a segunda.

Continuar a ler “Melhores do ano: 8 – 30 Rock”

Melhores do ano: 9 – Friday Night Lights

E eis que me encontro às 4 da madruga sem um pingo de inspiração para falar de FNL. Mas que mundo injusto, logo FNL, a série de coração que me sobrou nestes anos pós-faculdade e que vai ser arrancada de mim, e de todos os outros nobres fãs, dentro de alguns episódios. Ainda não sei bem como vai ser quando não tiver mais a perspectiva de ter o Coach Taylor e mrs. Taylor semanalmente, nem que fosse umas poucas vezes por ano, na minha vida. E todos os demais personagens que passaram. A ficha demora a cair e, acho, muitas vezes nem cai – eu de vez em quando me pego pensando, surpresa, que Gilmore Girls de fato acabou…

 

Continuar a ler “Melhores do ano: 9 – Friday Night Lights”

Melhores do ano: 10 – The Good Wife

E aqui começo, tardiamente, eu sei, o meu Top 10 de seriados de 2010. Eu ia até voltar às resenhas (com um belíssimo episódio de FNL e o primeiro episódio de 2011 de Grey”s Anatomy), mas simplesmente tenho que começar com isso aqui. Já estava parcialmente feito e, curiosamente, os últimos lugares foram os mais difíceis. Muita coisa para entrar, mas eis aqui o que ficou.

Continuar a ler “Melhores do ano: 10 – The Good Wife”