the big one – considerações sobre a finale e a quinta temporada de dexter

Acho que a temporada horrível me preparou para esta finale de Dexter, que foi apenas decepcionante, mas não ofensiva. Acredito que o tédio final revelou que a maioria das pessoas it’s only in it pelos ganchos e reviravoltas, e tudo bem, mas como para mim Dexter só tem tido falsas reviravoltas este prazer acabou há tempos. O que parecia uma jogada arrojada e ousada – a morte de Rita na season finale passada – apenas trouxe a série de volta ao seu status quo e pelo jeito vamos continuar jogando desse jeito até o Showtime ou Michael C. Hall cansarem. O sucesso de audiência depõe contra, a esta altura, porque os caras parecem dispostos a ir até quando der e não até quando deveriam. Me repito aqui quando volto a dizer que nenhum programa se beneficiaria tanto de uma data final quanto Dexter: o conceito simplesmente não é amplo o suficiente para fazer com que a série continue indefinidamente sem comprometer sua qualidade – que, a meu ver, já está deixando a desejar há umas duas temporadas.

Esta finale deixa claro que Dexter se acovardou ao sentar na confortável posição de líder de audiência do Showtime. A série se especializou em fingir que tem culhões quando, na verdade, não consegue dar um passo verdadeiramente arriscado há muito tempo – sinceramente, quem sentiu tensão quando a Deb flagra o Dexter e a Lumen em ação, convenientemente escondidos por uma cortina que funciona quase como um deus ex machina no roteiro? Eu só estava imaginando como eles iam conseguir se sair daquela – e Dexter sempre foi um pouco esse exercício de imaginação, “como o nosso psicopata da vizinhança vai se livrar dessa?”. O problema é que de uns tempos para cá o roteiro deu uma empobrecida violenta que esvaziou momentos de tensão como esse. Sabemos que o ápice dessa série vai ser quando Deb finalmente descobrir quem é o verdadeiro Dexter e estava claro que não seria nessa finale… E sabe Deus se vai ser na próxima temporada – aqui torcendo para que esta, sim, seja a última.

Eles ao menos deram uma caminhada com a Deb ao fazer com que ela aliviasse para os vigilantes – o quem nem gostei muito. Claro que era a única maneira daquilo ali dar certo, e passou minha mente, mas eu queria que pelo menos alguém ali mantivesse a postura de não curtir justiceiros. Quando Deb diz que talvez algumas pessoas realmente mereçam morrer mas não cabe a ela, como policial, decidir, eu pedi que ela não virasse a cara, mas ela virou. Claro que foi para a Lumen – toda a história do que aquelas mulheres passaram deixou uma impressão muito forte na Deb -, mas ainda assim abre um caminho para que ela aceite o Dexter n’um futuro com mais naturalidade.  O que é interessante que à medida que Dexter vai decaindo, Deb vai melhorando como personagem, fenômeno que já dura bem umas três temporadas. A infame cena da cortina é um passo para trás, mas, bem, que jeito? Tiveram que fazer essa “mágica” para livrar a cara do Dex.

E chegamos ao fim de uma temporada que não serviu para nada. Não trouxe nada de novo. Lumen vai embora como chegou – e imagino que ela não volte a aparecer nem Dexter precise eliminá-la, já que ela não tem a instabilidade de uma Lyla. Quinn sai da temporada sabendo um pouquinho a mais – tem algo errado com o Dexter, mas ele não sabe o que e não está muito disposto a ir atrás, agora que parece ter um futuro com Deb. E, com isso, os personagens secundários de Dexter seguem um fracasso, servindo de (fracas) muletas para a história quando necessário e só. Os filhos da Rita, convenientemente mandados para longe, voltam de vez em quando só para fazer alguma ceninha cafona e o mesmo pode ser dito de Harrison – se prestou somente a terríveis voiceovers. Como eles pioraram nesta temporada! Fora toda a pressa em tratar de Jordan, um vilão que ficou sem nenhuma dimensão, no final das contas…

E com isso tudo Dexter segue sendo um show mais bem atuado do que roteirizado. É uma pena que eu não consiga mais admirar as coisas boas, de tão apegadas que estou às ruins, e nem posso dizer que adorei a Lumen, gostei da atuação da Julia Stiles ou apreciei os dois como casal se tudo que eu pensava era: LOOP LOOP LOOP. Já vimos tudo isso – já vimos Dexter se identificando com alguém que o compreendia por quem ele era, ao contrário de Rita;  já vimos Dexter ter um parceiro ao lado de sua motoquinha Dark Passanger, um padawan; já vimos Dexter levantar suspeitas dentro do departamento policial de LA. O que essa temporada trouxe de novo para a mesa? Ser um pai solteiro trouxe menos dificuldades para Dexter do que quando Rita era viva, já que era mais fácil enrolar a babá que a esposa, e o próprio processo de luto de Dexter foi pateticamente rápido – eu sei que ele é psicopata, mas tem andado bem “humanizado” lately, né?

Ser pai, como vimos, aliás, só trouxe para Dexter péssimos voiceovers lamentando a possibilidade do Harrison ter a ESCURIDÃO dentro de si. Estarei dispensando.  Nenhum conflito real. Mas não é todo o incompreensível a decisão dos caras de continuar arrastando esse cadáver: verdade que o final sem adrenalina irritou os fãs, mas semana passada, diante do pésimo “Hop a Freighter”, que eliminou Liddy em cinco segundos, todos estavam batendo palmas. Os caras gastam meia temporada criando uma ameaça para sumir com ela em duas linhas de roteiro – e nessa finale já ficou claro que todas as pontas soltas darão em nada. Nível de desenvolvimento 90210 (me lembrou a história de Annie com o atropelo, toda aquela construção, uma crescente, e o arremate foi pateticamente subdesenvolvido). Enquanto houver público achando que está assistindo um dos melhores dramas da TV diante de Dexter e dando a melhor audiência da história do canal, o que o Showtime pode fazer, né? Se preocupar com a integridade do programa é que não.

Prova é o review do TV Squad, que elogia o “final otimista” e diz que depois de tanta brutalidade em temporadas anteriores é “refrescante” e “corajoso” não fazerem nada nesse sentido com a Lumen ou o Quinn. E que, quem sabe, a pontinha de esperança para o próprio Dexter se livrar do seu “passageiro sombrio” (ugh) um dia… O que seria um final tão higienizado e cara de pau que acho que nem o Showtime teria coragem de encarar.

Vale a pena voltar para a sexta temporada, sem a garantia de que seria a última? O que nos aguarda no ano que vem? Pelo jeito Dexter vai ser isso aí agora.

PS_Em uma entrevista, a produtora Sara Collecton disse que essa é a última vez que vão usar essa carta da Deb chegar tão perto de descobrir a verdade sobre o irmão. Segundo ela, o assunto será, claro, explorado de uma maneira mais definitiva ainda e que havia a necessidade de Deb “evoluir” para uma cena como essa (deixar os ‘vigilantes’ livres). “Se fizéssemos isso antes, haveria algumas maneiras que ela podia reagir, quando agora ela está mais evoluída”. Representa uma “evolução” para Deb entender que a vida não é preta e branca e deixar Dexter e Lumen livres… Aham. A produtora ainda disse que tem muita gente aí sabendo coisas sobre Dexter e que todos podem voltar… Leiam aqui.

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

1 thought on “the big one – considerações sobre a finale e a quinta temporada de dexter”

  1. Concordo plenamente com seu texto.Pra mim a série está enrolando desde a terceira temporada.Essa última foi pior ainda,não serviu pra nada.Praticamente acabou no mesmo ponto que a quarta tinha acabado,lamentável.
    Dexter precisa urgentemente de um ponto final,mas parece que isso está longe.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s