the walking dead – 01×01 – days gone bye

“The Walking Dead”, nova série da AMC, é uma das novas sensações da TV americana. Quinta produção original do canal a cabo a entrar no ar, a série é baseada em uma HQ de Robert Kirkman e antes mesmo de estrear já era vista como uma promessa para lançar o canal para as massas – e não decepcionou, já que o piloto teve 5,3 milhões de telespectadores, melhor premiere de uma série da AMC na história. Para fins de comparação, a premiere da quarta temporada de “Mad Men”, menina dos olhos da AMC, teve 2,9 milhões de telespectadores. Melhor ainda: no target que importa, 18-19 anos, TWD teve audiência de 3,6 milhões de pessoas assistindo, o que é muito bom para um canal fechado.

Para muitos, “The Walking Dead” é para a AMC o que “True Blood” é para a HBO. Além do estouro de audiência (TB tem os melhores números para o canal desde os “Sopranos”), tem, claro, a similaridade temática de, hm, criaturas sobrenaturais. Na série da AMC, saem os vampiros e entram os zumbis. Apesar dos dois serem elementos clássicos de filme de terror, os tons das séries são muito diferentes (TB pura diversão, WD horror) e, essencialmente, há uma mudança de eixo. Enquanto os vampiros são criaturas que são reflexivas e permitem explorar suas personalidades, suas nuances e suas interações com os humanos, os zumbis são mais uma massa que funcionam como uma ameaça de uma maneira similar a um vírus. Aqui, o foco são os humanos.

Além disso, enquanto “True Blood” tem um perfil totalmente diferente das outras produções da HBO (bom, compartilha a vibe sexo), “The Walking Dead” é parecida com as outras séries da AMC em coisas fundamentais como a valorização do silêncio e um tom quase contemplativo que, vez por outra, até a série mais rápida do canal (“Breaking Bad”) tem. A premiere transcorre quase que totalmente sem música ao fundo, o que é uma escolha muito acertada para que a gente compreenda melhor a solidão e o vazio do mundo no qual Rick acordou. Ele é um xerife de uma cidade do sul dos EUA que vai parar no hospital depois de ser baleado – para acordar em um mundo dominado pelos zumbis.

O hospital fantasma é só o prenúncio de tudo que está por vir. Corpos mortos e semi-mortos aparecem no caminho de Rick até sua casa – no prelúdio da história, vemos Rick e seu parceiro Shane conversando e conhecemos um pouco sobre a vida pessoal deles, incluindo os problemas maritais que os dois enfrentam. Rick está disposto a reencontrar Lori, sua esposa, e o filho Carl, mas encontra sua casa vazia e, enquanto vaga nas ruas, acaba sendo vítima de dois outros sobreviventes – chega a alucinar confundindo o garoto com seu filho. Pai e filho, Morgan e Duane Jones, estão vivendo isolados em casa, tentando se defender como podem dos zumbis – e, basicamente, ficar fora do radar dos mortos-vivos. O clima lembra um pouco “Survivors” (BBC), com as cidades desertas, o clima de medo e desconfiança, as situações extremas. A mãe da família, por exemplo, foi infectada e Morgan não teve coragem para matá-la – e ele e o filho eram constantemente atormentados pela presença da mulher, zumbi, vagando do lado de fora.

Rick aprende rapidamente sobre a infestação zumbi – embora os ‘comos’ não estejam claros – e fica sabendo que foi recebido com ‘desconfiança’ porque seu ferimento do tiro foi vista como uma possível ferida causada pelos zumbis, deixando-o à beira de uma perigosa transformação. Ele explica que não foi o caso e logo fica claro que ele ainda é humano e os três se ajudam brevemente. Morgan explica a Rick que os sobreviventes foram para abrigos em Atlanta e Rick acredita que sua mulher e filho podem estar lá – ele se recusa a acreditar que eles viraram zumbis e observa que faltavam roupas e fotos de sua casa, o que mostrava que a esposa saiu conscientemente.

Rick recupera suas forças, suas armas e parte em seu caminho para Atlanta. A cidade parece inicialmente deserta – carros abandonados, ruas vazias, mas logo ele percebe que se meteu em uma cilada. PARÊNTESES: a audiência já sabia disso quando viu um grupo de sobreviventes na estrada que incluia, sim, a família de Rick e seu ex-parceiro. Eles discustem sobre se devem se arriscar mais tentando alertar sobreviventes de que Atlanta foi tomada, mas Shane acaba convencendo Lori de que isso não é seguro. E, segura essa, os dois estão se pegando, para adicionar um toque de romance na história.

O episódio não tem muita ação – é mais um retrato, extremamente angustiante, de um momento pós-apocalíptico, tem uma lentidão premeditada que também tem a cara da AMC -, mas no final temos uma cena muito boa que deixa a AGONIA quase palpável. Cercado por zumbis, Rick parece sem escapatória e dá um arrepio na espinha simplesmente ver zumbis vindo de todos os lados e diminuindo o espaço ao redor do xerife, é sufocante, e quando ele pede desculpas à família e bota a arma na cabeça para se matar, aparece uma saída. A cena é muito curiosa porque você sabe que o herói não vai morrer no piloto e ainda assim a situação parece tão sem escapatória – e quando a porta de fuga surge, não é forçado, é natural, é tão bom quando tudo FICA NO SEU LUGAR CORRETO.

O final do episódio é aberto – quem está tentando contactar Rick? Como ele vai sair daquele tanque, uma ilha no meio de uma cidade zumbi? Será que tem gasolina? Como ele vai se virar? Quando e como vai encontrar a família e que consequências isso trará, já que ele é considerado por todos como morto? Eu não amei “Days Gone By”, mas revendo hoje pela Fox, ligeiramente cortado, gostei mais. É um bom episódio, sólido, todo o trabalho técnico – maquiagem, fotografia, direção – servem perfeitamente ao propósito básico de criar um “clima” para a série, com um algo de estéril e de agonia, ao mesmo tempo (nice work do production designer Greg Melton) e a audiência imediatamente simpatiza com Rick. Nós vemos tudo pelos olhos dele, é como se todos acordássemos juntos naquela cama de hospital e fossemos saindo por aí, nos deparando com zumbis e perguntando what the hell.

The Walking Dead
AMC
Primeira temporada
Episódio um
Teleplay por Frank Darabont
Dirigido por Frank Darabont

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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