‘tomorrowland’, dêem um tempo pra betty, don e mais

E agora na finale não é que “Mad Men” faz um paralelo entre Don e Betty, depois de deixar a segunda meio escanteada ao longo de toda a quarta temporada? De fato, Don e Betty são muito diferentes, mas nesse “Tomorrowland” é fácil perceber no que se parecem – os dois querem viver uma vida perfeita e têm problemas em encarar dificuldades. Betty diz textualmente que queria um “fresh start” nessa finale e não é isso que Don sempre quis? E que nunca deu totalmente certo? Henry está certo, não existe um recomeço do zero. Betty vai mudar de casa e vai continuar infeliz e tenho uma sensação de que este novo casamento de Don, depois de uma temporada flutuando sem parâmetros, vai se provar um desafio maior do que ele imagina.

Claro que dessa vez Don pelo menos agiu impulsivamente mas com mais critérios. Em qualquer aspecto, Megan é mais seu tipo que Betty, ela é esperta (embora nada tão inteligente quanto outras que Don já andou catando nestes 4 anos), safa, morena, liberada… Mas Don não se seduz por nada disso e o momento em que parece ficar meio impressionado, a cena exata, é quando vai se juntar a Megan e os filhos no restaurante e os vê juntos com uma aparência extrema de felicidade familiar. Nada contra, e se você vai recasar que bom que escolhe uma pessoa com tato com crianças (já tinhamos visto na marcante cena da Sally não querendo voltar para casa e chorando no escritório). Mas, simplesmente, será que Don Draper é capaz disso? Claro que tem o fator descomplicação, como o sepinwall apontou – onde Faye era refinada, Megan é só uma adoração cega, uma sussidão que é muito apreciável.

Não foi inteiramente inesperado – quando Betty demite Carla, um pensamento meu já foi imediatamente para Megan – porque as pistas estavam todas na temporada, mas Don foi tão diferente neste episódio. Na hora que ele chama todo mundo para o escritório para contar a novidade, que vibe. Certamente um ensaio de mudança – se vai se segurar, não sei, só a próxima temporada dirá.

E, ah, Betty… Pobre, Betty. Saco de pancada preferencial de 8 em cada 10 fãs de Mad Men por ser um fracasso como mãe, mimada, metida, sem auto-consciência, infantil, que mais? Segue a lista. Todos estão certos. Essa temporada fez da Betty quase uma caricatura de tão vilanesca. A ponto da Emily Nussbaum dizer que a felicidade dela por Sally ir ver os Beatles com Don foi seu MELHOR MOMENTO na temporada. Tipo dois segundos. A primeira aparição foi aquela tragédia na casa da mãe de Henry, que bem fez a hater e a esculachou depois. E seguimos para culminar nessa história da volta do Glenn que termina com uma demissão intempestiva de Carla, o que é demais até para Henry (e, vamos combinar, esse casamento JÁ DESCEU A LADEIRA, como sempre pareceu que ia).

Mas aí temos essa finale e eu vejo a cena que contrapõe a Betty deitada sozinha na cama da Sally e o Don com a Megan e não consigo não sentir uma dor no peito. Não é só que Betty é sozinha AMOROSAMENTE no sentido romântico da coisa. Don sempre foi muito assim, apesar de ser mulherengo. Mas Betty.não.tem.nada. Os filhos, bem – Sally está mais para o ódio (e o Weiner disse que a Betty desta temporada é bem a visão de Sally), Bob não parece ter nenhum carinho real (difícil dizer, ele quase não faz nada) -, sabemos como é, ela não é uma mãe confortável. Henry está cada vez mais se afastando, como vimos na finale. Ela não tem amizades, trabalho… Don tinha Anna. Tem seu talento. Tem uma relação bacana (tem seus momentos) com a Peggy. Apesar de tudo (ele também nunca foi um modelo de pai), os filhos o adoram. Betty.não.tem.nada. Eu sei, eu sei, vão dizer que ela não tem porque não quer, porque não amadurece, mas percebam a dolorosa realidade disso tudo. Betty foi criada para ser alguém e viver uma vida que, tchanans, não deram em nada. Ser esposa, ser mãe, ser dona de casa – nada disso deu a ela uma ideia de completude. Vimos Betty lutando contra o vazio nas primeiras temporadas e tivemos até oportunidade de vê-la sob uma luz diferente, especialmente com o episódio da Itália, mas ela simplesmente não consegue let it go. Betty continua achando que merece uma vida, uma felicidade, que está escondida em algum lugar só para ela. Uma vida ideal. QUE NUNCA VAI CHEGAR. Isso parte a porra do meu coração, foda-se o quão imatura você acha que ela é. Um comments aí, sei lá onde, ah, internets, disse que a Betty era aquela “deixada para trás” e, te dizer, bem nessas. Acho bem real, acho tocante e creio que é essa a imagem – tudo está passando e Betty está ficando para trás.

PARTE MEU CORAÇÃO. Aquela cena dos dois na cozinha, orquestrada pela própria Betty, é a definição visual da melancolia. E claro que uma parte de Betty ainda queria estar com o Don – assim como Don também sempre acalentou o sonho de viver o american dream, com sua esposa loira & linda, seus filhos impecáveis etc. E ali estão os dois, fracassados, tentando novos começos – uma casa nova, uma mulher nova. Se vai dar certo, como já disse, só esperando para ver… Mas o que a Faye falou para o Don, a grande frase do episódio, “Você só gosta dos começos”, não se aplica só a Don. Betty já queimou o seu começo com Henry, quando tudo eram flores, e vamos ver se Don vai conseguir superar isso com a Megan (como não conseguiu com nada até hoje).

PS_Mad Men, claro, é muito imprevisível e por isso largo aí essa ambiguidade com a Megan, vai saber, msa sinceramente vou ficar muito surpresa se ela acabar dando certo aê pro Don. Eu fiquei meio que gritando com a TV quando percebi tudo que ia acontecer – ie Don pedir a Megan em casamento. Que jeito. E eu até gosto dela e entendo porque Faye podia ser um pouco demais – intensidade, amizades, nem sempre é qualidade.

PPS_Peggy for the win nessa temporada. E Don, ainda em momento FORA DE SI, tentando conquistar a simpatia dela para Megan, dizendo que as duas se parecem e bla bla bla? Peggy não comeu nada e ainda ficou meio noiada, compartilhando uma das melhores cenas do episódio com Joan. E por falar nisso…

JOAN. Tava rolando essa polêmica sobre o aborto e eu imaginava que ela poderia ter mantido o bebê, depois da cena do episódio passado, e eles aqui abordaram o assunto já chutando a porta – sem mais delongas, Greg falando sobre o futuro filho. Quer dizer, Joan também procura por novas coisas, um novo fôlego, um novo estímulo. Só espero que não se converta em uma cilada como foi o casamento.

E, sabe, só mais uma coisa. Eu gosto do Pete e eu bem que entendo chamar o sogrão para dar uma força na empresa e tals e na hora que Ken fala “não sou como o Pete” me deu um odiozinho por ele ser tão assertivo e de uma maneira quase rude, mas vou dizer que é REFRESCANTE ver alguém que entende que AQUILO É UM TRABALHO, não a vida, e que talvez seja mais vantajoso manter sua vida pessoal do lado de fora. Talvez nem desse em nada fazer negócio com o sogro, mas Ken achou que não valia a dor de cabeça e é bem capaz.

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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