lone star – 01×01 – pilot

Mais uma ironia destas que a vida nos apronta: apontado por muita gente como o melhor programa da fall season, ao menos na TV aberta, o piloto mais promissor e mais bem feito, “Lone Star” teve uma audiência catastrófica e já entrará na sua segunda semana com o peso do cancelamento olhando por cima do ombro. O que é triste. Embora eu tenha esperado um tiquinho mais, por conta de tantos elogios, a série é, de fato, a melhor coisa da TV aberta americana para esta temporada, tem uma fotografia lindíssima, uma boa trilha sonora e, melhor de tudo, um casting de babar.

Porque, confesso, já estou meio apaixonada pelo Bob. O James Wood é uma mistura do Coach Taylor com o George Clooney e tem um carisma impressionante que está todo a serviço de colocar a audiência para simpatizar com o golpista que é o Bob. Ou os Bobs.

Criado pelo pai para ser um salafrário de primeira e mestre na arte de enganar, Bob tem duas famílias. Em uma delas, Bob tem uma namorada meiga e apaixonada e é uma das pessoas mais queridas dentro de uma comunidade acolhedora, do interior, para quem ele e seu negócio representam uma fuga financeira. Na outra, é casado com Cat (mais um momento FNL, a Adrianna Palicki) e o genro de ouro de Clint, um homem de negócios ligados ao petróleo, que satisfeito com o desempenho de Bob quer promovê-lo na empresa. A chance para Bob dar um golpe milionário.

O problema é que Bob começa a ver nesta oportunidade a chance de abandonar a vida de golpista e aproveitar para valer a chance. O pai diz ser radicalmente contra e, vejamos, enquanto temos diante de nós uma história de redenção e um personagem que foi, classicamente, forçado a ser quem é, também é difícil ignorar que Bob é, por natureza, um golpista. Ele diz que quer aproveitar a chance mas, ao mesmo tempo, se diz apaixonado pelas duas mulheres e pretende usar o emprego legítimo para cobrir as contas do esquema que montou na cidade do interior, para não perder seu disfarce. Bob diz não querer mais trapacear, mas sua incapacidade de se decidir e sua intenção de continuar sendo os dois Bobs é, claro, uma trapaça.

Ainda não dá completamente para ser envolvido pelo charme de Bob por isso mesmo. Ao mesmo tempo em que ele é apresentado como uma vitima das circunstâncias, ele tem a oportunidade de tomar a vida em suas mãos e é incapaz. No final das contas, ele é um homem que está chifrando duas mulheres e fica bem reduzido a isso quando ele diz estar apaixonado pelas duas. Não é pelos negócios, pelos benefícios, pelas aparências., nada disso mais importa. A boa & velha traição. Claro que os anti-herois são o novo must (só agora?), mas, veja, quando o Bob é meio traçado como vitima é diferente do que, diga-se, um Don Draper, aquele canalha que a gente ama e que é escroto mas também tem um lado de partir o coração.

Espero que isso se aprofunde no seguir da série, porque torcer por Bob é essencial para o programa. Ele é o programa. A série já parece condenada, mas de qualquer maneira é de se intrigar por quanto tempo esta premissa conseguiria/conseguirá ser esticada. Quanto tempo o Bob vai conseguir manter as bolas no ar? O cunhado está na cola, querendo derrubá-lo, e, afinal, até onde este plot pode ser levado? Vale a pena conferir.

Lone Star
FOX
Primeira temporada
Episódio um
Escrito por Kyle Killen
Dirigido por Marc Webb

Promo do segundo episódio:

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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