considerações sobre o emmy 2010

O Emmy deste ano teve uma boa dose de vencedores de primeira viagem – mas claro que as pessoas ainda se prendem aos inevitáveis vencedores repetidos. Além disso tivemos, claro, umas boas zebras, um bom número de abertura e dois fantasmas que não se materializaram: “Glee” e “Lost”. Ah, uma previsão se tornou realidade: a série mais premiada pelo Emmy na década saiu de mãos vazias. Foi, de fato, “o ano de 30 Rock perder”, como venho comentando há meses. Apesar disso, foi o que eu chamo de uma boa edição do Emmy. Perfeito nunca vai ser, mas, afinal de contas, é um prêmio e está aí para a gente perder tempo tacando pedra (digo apesar porque apesar de tudo sou uma groupie da Tina Fey).

A abertura (espero que o vídeo não caia instantaneamente)

O evento de três horas de duração, maio premiação da televisão, foi apresentada pelo Jimmy Fallon neste domingo (29). O Fallon não foi lá um grande apresentador – o Neil Patrick Harris certamente foi melhor – mas teve seus bons momentos (destaco a homenagem aos shows que recém-acabaram). A apresentação do início satirizou “Glee” e trouxe, além dos atores da série da Fox, Tina Fey, Jon Hamm, Jorge Garcia, Joel McHale, Betty White e o próprio Fallon dançando ao som de “Born to Run”. Bem bacana – ainda que tenha sentido calafrios ao ver “Glee” em meio aos queridinhos do Emmy hehehe, mas eles não fecharam aos olhos para o que está acontecendo e isso é bom. O programa inteiro foi um pouco longo e sem fluidez, falta mais entretenimento. Em uma certa hora, ali pelo meio, dá um cansaço danado. Mas estão entregando os prêmios bem rápido!

Vou comentar os principais vencedores e abaixo segue a lista – nem posso falar nada de minis e filmes porque to defasada.

CATEGORIAS DE DRAMA

Melhor drama: Mad Men (AMC)
Ao contrário de comédia, as categorias de drama não tiveram muitas mudanças significativas. E, como disse no ano passado, eu entendo a frustração de quem vê ano após ano os mesmo vencedores – mas também repito, acho que boa parte dessas pessoas simplesmente não gosta de ver sua série preferida perder. Se “Lost” ou “Dexter” estivesse entrando em seu terceiro ano seguido de vitória, duvido que o mimimi estivesse tão acentuado. Mas como é “Mad Men” todos agem como “já entendi, é bom, siga adiante”. Não é assim que o Emmy funciona – e as premiações repetidas de “Frasier” e “The West Wing” no passado mostram isso. Eles CURTEM repetições. E, neste ano, ao menos, não é como se tivessem se fechado ao novo. Indicaram uma novata – e de canal aberto – “The Good Wife”, receberam o incerto último ano de “Lost”, conseguiram até encaixar uma indicação solta e algo desajeitada de “True Blood” ( a segunda temporada foi realmente o sumo da série). Algum programa novo de drama ficou ausente? Acho que não (diferente de comédia, que foi meio a meio). As eternas indicadas e que nunca levam, “Breaking Bad”, “Dexter” e “House” mas uma vez não conseguiram romper a sólida barreira de “Mad Men” e, em minha opinião, não foi injusto. A série de Matt Weiner tem dois Emmys e, ainda assim, nos apresentou sua melhor temporada. Deveria o Emmy fechar os olhos para isso? Reconheço que estava dividida – “Breaking Bad” também teve uma temporada estupenda e novamente ficou a ver navios. “House” não acompanho mais, mas “Dexter” teve uma temporada que, já disse, achei catastrófica (tem um post ae sobre isso). E ainda tem “Lost” que, sinceramente?, fiquei um pouco maquiavelicamente feliz de ver saindo de mãos vazias, meio que pelos fundos. Foi uma série fantástica, bem atuada, bem escrita, mas que se entregou no final a uma temporada irregular, caiu em derrocada e, enfim, não esteve nem de longe no nível das boas séries desta categoria.


Melhor ator e melhor ator coadjuvante (Bryan Cranston e Aaron Pauls, Breaking Bad/AMC)

Se continua soberana na categoria principal, “Mad Men” ainda não conseguiu abocanhar nenhum prêmio individual no Emmy. Mais uma vez, vimos Bryan Cranston levar por melhor ator – e dessa vez “Breaking Bad” ganhou um reforço com a justa vitória do Aaron Paul. Sobre a categoria principal: sou uma grande entusiasta do Cranston – acho que, de fato, ele é o melhor ator da categoria. Mas sinto, sim, um pouco de pena dos outros, que estão dando boas atuações, estão em seu melhor e simplesmente não conseguem chegar lá (no caso, aqui, Hugh Laurie, Michal C. Hall e Jon Hamm. O Fox gosto, mas acho que tá um nível abaixo e o Chandler, infelizmente, tem que considerar a indicação “um prêmio em si”).

Como disse nesse blog, a categoria de ator coadjuvante de drama era a mais difícil para mim. Todos os indicados eram bons e merecedores, até o Martin Short, apesar dos pesares, e acho que ficaria uma sensação de injustiça de qualquer maneira. Claro que os lostmaníacos sempre vão colocar Emerson/O’Quinn acima dos outros. São bons atores e os dois estiveram muito bem na última temporada de “Lost”, mas também são bons e dignos de prêmios Andre Braugher, Jon Slattery e o Short. O Aaron Paul cresceu muito em “Breaking Bad” e é bacana ver isto reconhecido e ele levando o primeiro caneco. Na verdade, ele já merecia na temporada passada, mas encarou o Emerson, também um grande ator e no momento com maior impacto.

Melhor atriz e melhor atriz coadjuvante (Kyra Sedgwick por The Closer/TNT e Archie Panjabi por The Good Wife/CBS)

Estas duas categorias foram surpreendentes. Quer dizer: tudo podia acontecer em melhor atriz coadjuvante e cada um tinha seu favorito, mas não havia ninguém que gritasse de longe VENCEDOR. Eu até gosto da Kalinda, personagem da Panjabi (embora ela faça parte de um fenômeno de ser daqueles personagens que têm sempre que ser legais, mesmo que de um jeito rebuscado, sair por cima, tipo Sheldon ou Barney ou até Sawyer, sei lá, to com sono, nem faço sentido) e acho essencial para a dinâmica de “The Good Wife”. Mas confesso que acho a Panjabi um pouco canastrona. Não sei até que ponto é o que personagem pede – Kalinda sempre tá meio que fazendo um tipo, projetando algo -, mas não me passa tanta segurança. Certamente ela não é uma atriz tão consistente quanto sua colega de séria Christine Baranski, que infelizmente não tem muito material em “The Good Wife”. Também acho que a Christina Hendricks, que faz o melhor com seu pouco tempo em cena nesta temporada em “Mad Men”, é uma atriz melhor. E, claro, minha absoluta preferida dessa categoria, a Elisabeth Moss. Ano pasado, a Moss concorreu como principal e este ano ela deixou a vaga para a January Jones e veio para cá e me espanta como sempre foi dada como morta na categoria. Ela mandou um episódio que, eu acho, ela tem uma cena maravilhosa (“Love Among the Ruins”, segundo episódio, quando ela faz a Ann-Margret). Sobram ainda a Rose Byrne (que escolheu um episódio de “Damages”, a estreia da temporada, em que não tem nada que a recomenda) e a Sharon Gless (não vejo, mas dizem que tava bom, mas USA/”Burn Notice”? difícil de levar).

Enfim: atriz coadjuvante não tem nenhuma “dona” e, como disse, tudo podia acontecer. Quase todas seriam premiadas pela primeira vez (só não a Baranski). Geralmente atrizes veterenas e até comebacks fazem sucesso por aqui, a Panjabi é uma das poucas JOVENS a levar o prêmio nos anos 2000. Vejam a lista: Allison Janney (2000, 2001), Stockard Channing, Tyne Daly, Drea de Matteo, Blythe Danner (2005, 2006), Katherine Heigl, Dianne Wiest e Cherry Jones.

Atriz principal meio que partiu meu coração. Os caras do “Envelope” chamaram correto: a Kyra Sedgwick mandou, ao que parece, o episódio mais forte. Eles lamentaram a Margulies não ter garantido a vitória com o piloto, mas ainda assim apostaram nela simplesmente PORQUE PARECIA QUE IA. Ela levou tudo. Era um prêmio já escrito, como a Jane Lynch em “Glee”. Então foi um monte de coisa o prêmio da Kyra: foi zebra, mas ela merecia, e ao mesmo tempo tinha cara de repeteco porque ela tá lá todo ano – mas nunca havia levado. E me deixou especialmente frustrada porque se teve espaço pro inesperado, pra zebra, podia ter sido a Connie Britton! Mas, enfim, parabéns a Kyra pelo prêmio depois de tantos anos de série.

CATEGORIAS DE COMÉDIA

Melhor comédia: Modern Family (ABC)
“Modern Family” saiu na frente da batalha com “Glee”, com roteiro e ator coadjuvante, e depois a série do Ryan Murphy levou direção (acho o piloto tão confuso, mas é mais roteiro+edição mesmo) e atriz coadjuvante e parecia que ia ser pau a pau. Mas, na verdade, embora tenha apostado em “Glee” antes, o Emmy teve toda a cara de que ia ser “Modern Family” mesmo. Os votantes vão no tradicional, o que é claro. Verdade que eu estava muito decepcionada com esta categoria. O Emmy se abriu para o novo, mas também se recusou a deixar certas coisas velhas irem embora. Não premiaram “30 Rock”, mas não poderiam deixar de indicar (e vendo os 6 epis enviados parece até que foi uma temporada sensacional), levaram a mortissima temporada de “The Office” e “The New Adventures of Old Christine”. “Community”, “Parks and Recreation”, “Party Down”? Nada. Diante das opções, fiquei feliz com “Modern Family”. É uma comédia redondinha, bem feita, família, retoma as comédias da ABC. Não é histérica – e certamente a NBC faz mais o MEU NÚMERO neste assunto -, mas é uma boa série, além de ser muito mais consistente que “Glee”. E depois de uma vitória atrás da outra, “30 Rock” sai do Emmy de mãos vazias e sem levar a categoria principal.

Melhor ator e ator coadjuvante de comédia (Jim Parsons, The Big Bang Theory/CBS e Eric Stonestreet, Modern Family/ABC)

Todos n’uma radiância pela queda do Baldwin e eu melancólica… Verdade que este ano ou o Parsons ganhava ou era nunca! “30 Rock” vindo de uma temporada contestada, o Shalhoub só se fosse por pena/fator adeus, Carell também numa temporada mais automática. Restavam, a serem batidos, Larry David (mas “Curb” simplesmente parece não descer para os votantes) e o Matthew Morrison (que, sinceramente, VAI SABER? Caiu com o resto de “Glee”). De vez em quando acho que o Parsons exagera – sei que o Sheldon é exagerado, mas o tanto que os roteiristas se apoiam nele me irrita às vezes – e não acho TBBT essas maravilhas, mas ele merece esse prêmio e que leve logo.

Nos coadjuvantes, em meio até a colegas que fizeram um trabalho bom na temporada, o Eric Stonestreet sempre se destacou e torci para ele desde o princípio – e ele era um dos favoritos, sem dúvida. Foi o primeiro sinal de que a Gleemania não ia pegar o Emmy, nada mais do que uma piscadinha simpática, o Cryer tava lá constando como vencedor do ano passado e o Neil Patrick Harris, bem, não foi o FIZBO nessa temporada, né.

Melhor atriz e atriz coadjuvante de comédia (Edie Falco, Nurse Jackie/Showtime e Jane Lynch, Glee/Fox)

Dois prêmios para as favoritas – Lynch já tinha o nome dela escrito e seria uma zebra ir para alguma das outras – que incluiam a Julie Bowen (acho tão naturalmente engraçada), a Krakowski (adoro), a Holland Taylor e a Sofia Vergara. Elas foram lá para curtir a festa, apresentar prêmios e tals. Foi justo. Jane Lynch é, sem dúvidas, a melhor coisa de “Glee” e fico feliz pelo sucesso ter batido à porta dela. Vitória anunciada.

A Edie Falco é aquela coisa: pedigree Emmy, grande atriz, blablala. Troféu sinceridade para ela: “Eu não sou engraçada”, disse, ao subir no palco. para ser sincera, Carmela Soprano tinha seus momentos de graça, mas Jackie não. Toda a graça de “Nurse Jackie”, que nem chega a ser convencionalmente uma comédia, vem da Merrit Weaver e um tiquinho do Peter Facinelli. Ainda assim, uma grande atriz levando um prêmio nunca vai ser algo para a gente reclamar, embora fique um gosto estranho, e deixa a Falco curtir mais este Emmy. Deram uma folguinha pra Tone Collette, pra Tina Fey, ignoraram a Lea Michele e a Julia Loius-Dreyfus e a Amy Poehler tavam só completando a lista, né? Ainda que a Tina Fey tenha mandado um epi tão bom que não consigo não pensar no que poderia ter sido…

LISTA COMPLETA DE VENCECORES

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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