true blood – 03×04 – 9 crimes

No quarto episódio da temporada, começo a sentir certo desconforto com “True Blood”. Ainda não é muito certo para onde tudo isso vai e temo que a série siga se espraiando para, no final, sofrer com o afunilamento exigido por uma finale (muito similar ao que aconteceu na segunda temporada). Além disso, a rigor, a série não está aquele carrossel de diversão que justificou tudo de ponta solta e forçada de barra que vimos na época da Maryann. Acho que “True Blood” se valeria de ter uns episodiozinhos a mais… Quando o bicho começa a pegar – e tradicionalmente a série demora um pouco pra pegar a cada temporada, por isso não estou muito preocupada -, já estamos infelizmente perto do fim.

De qualquer maneira, este “9 Crimes” foi o melhor episódio até aqui e teve lá sua graça, mas o que teve de bom foi a indicação de um caminho mais sombrio. Nunca “True Blood” foi tão amarga e grande parte disso se deve a Bill Compton, que se entrega com certo prazer à vertigem, à queda. Diria mestre Yoda: ao Lado Negro. É claro que vai ficar no ar, por enquanto, a possibilidade de Bill estar fingindo – salvando sua pele e a de Sookie em uma situação bastante adversa. Apostaria minhas fichas nisso, ao menos por agora. Mas isso não importa: há sinceridade naquilo ali, mesmo que ele esteja fingindo. Enquanto ele dá um pé na bunda FORTE na Sookie há verdade, sim, quando ele diz que transou com a Lorena como “só dois vampiros podem”, sem se conter. E que cena! Há uma certa graça trágica, sim, em ver a reação incrédula da Sookie (“Shut the fuck up!”), mas logo depois ela chora de partir o coração e é de matar…

A jornada de Bill é certamente a mais interessante da temporada até aqui. Ele tem direito a outra cena memorável no episódio, quando vai ver a stripper dançar ao som do Massive Attack e depois a ataca no carro, já com o rei Russell e Lorena, e saímos da cena ouvindo a música que empresta o título ao episódio, do Damien Rice. Aliás, a canção também nos dá uma pista. “It’s the wrong time/for somebody new/it’s a small crime/and I got no excuse” – a culpa e a sensação de uma espécie de traição permeiam a música. Se Bill sente culpa, mascara. Agora, é impossível saber exatamente o que o move. Estará protegendo Sookie? Se deixou abalar pelo papo do rei Russell e se tocou de que um amor entre uma humana e um vampiro está amaldiçoado desde o começo? (o rei sugere que ele transforme Sookie como solução). Estará Bill fazendo a dança dos cavalheiros, i.e. se afastando por princípios, por acreditar que prejudica, que atrapalha, que destroi o que Sookie poderia ser (“the only way to show your love to a human is to stay away forever”)? Só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: independente dos motivos, uma parte de Bill está aproveitando muito esta viagem ao submundo.

Sookie, por sua vez, não ficou desestimulada com o fora. Bom, ficou, mas não o suficiente para desistir de rastrear Bill, com a ajuda de Alcide, lobisomem indicado por Eric. Suponho que deveríamos estar sentindo a tensão na iminência de que algo role entre os dois, mas meio que achei que não rolou. Tipo, claro que a qualquer momento pode acontecer algo entre Sookie e Alcide, mas não me convenceu. Fizeram uma aproximação dos dois – que agora até vivem momento parecido, já que Alcide levou um pé da namorada – gótica e usuária de v – e consegue entender pelo que Sookie está passando, mas sei lá. Vamos ver. Parênteses: inevitável rir do momento ECLIPSE FEELINGS (independente de tudo) em que Sookie fala que Alcide é “quente” e ela estava desacostumada.

As outra tramas ainda estão se abrindo na mesa – Sam e sua família, para onde vai isso? E a gravidez da Arlene? Quem será realmente o pai? Resquícios da orgia comandada pela Maryann? E o tal do Franklin, manipulando descaradamente a Tara para seguir a Sookie? Agora o rei disse que ia largá-la, o que deixa a mulher-rancorosa Lorena em chamas, quem está comandando o cara? E todo esse drama do sangue traficado? Eric quase dançou, mas enquanto isso o rei Russell também tá usando o sangue vampiro para fins, hm, alternativos, em rituais com os lobisomens! Ainda temos a Jessica, soltinha, e a trama absurdamente sem graça de Jason, determinado agora a ser POLICIAL! Acho que perderam a mão neste rapaz.

True Blood
HBO
Terceira temporada
Episódio quatro
Escrito por Kate Barnow e Elisabeth R. Finch
Dirigido por David Petrarca

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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