comentário sobre ‘i will always love you’, último livro de gossip girl

Só agora tive a oportunidade de ler o último livro lançado da série Gossip Girl (I Will Always Love You), o primeiro escrito já sob a influência da adaptação para TV. Verdade, o penúltimo saiu depois da premiere, mas a distância de apenas um mês me faz crer que não influenciou muito (fora que foi um prequel, né). Nesse aqui, acho que fica patente que a Cecily von Ziegesar resolveu deixar o Chuck, personagem dos mais queridos da versão CW, mais palatável. Verdade que todo mundo muda ao sabor do vento nos livros, mas as mudanças são todas pequenas variações sobre um mesmo tema – todos os personagens seguem sendo avatares deles mesmos.

Nate continua batendo cabeça com sua indecisão crônica, além de fugir sempre que o bicho parece que vai pegar. Blair continua sendo mimada, algo inconsequente, e profundamente autocentrada. Serena, entra ano e sai ano, segue também indecisa em relação às decisões que tomou em sua vida, tentando isso, aquilo, enfim, experimentando um vazio existencial (Nate parece ter mais pânico diante do fato de que vai precisar TOMAR OS LEMES DA SUA VIDA). Dan e Vanessa continuam as piadas de sempre e até a Jenny aparece. A Jenny meio que parece com o que lembro dela – as in ávida e desejando coisas que nunca fizeram parte de sua vida, como Nate ou os vestidos da mãe de Blair -, mas tem um lado que parece meio esvaziado.

Só o Chuck se transforma de um cara desagradável e afeminado em um cavalheiro com princípios e, especialmente, alguém que aparece para ajudar e estender a mão – tanto para Blair quanto para Nate. Verdade que imaginei que ia ser pior quando soube que Blair e Chuck iam namorar nos livros. A ideia me parecia completamente desbaratada diante do que conhecíamos dos dois na versão escrita e torci o nariz, mas no livro, que ademais não passa de um castelo de cartas, nem ficou tão forçado – e no final o Chuck era mais um, um mais um especial e que pode ser promovido, vai saber, mas mais um.

A tentativa da autora de dar um FF nos acontecimentos acaba deixando tudo muito circunstancial. E não é só a narrativa que é um loop (vemos quatro finais de ano da tchurma do upper east side), mas os personagens presos em suas personalidades, em seus conflitos, em seus relacionamentos que insistem em não se resolver. Achei um exercício que mostrou um certo desgaste criativo da Cecily, ainda que sirva ao propósito de matar a curiosidade de como a galera viveu a vida da faculdade – ainda que da perspectiva, sempre, da vida antiga deles. Blair, por exemplo, se forma em Yale e segue estudando direito, mas mal vimos a vida dela lá, nada mais do que conhecer o namorado da época.

(Para os curiosos, Serena segue atuando até que sua curiosidade por conhecimento e leitura (for real rs) a levam a decidir ir para lá também. Dan continua escrevendo e troca de faculdade. Vanessa continua filmando e estudando na NYU, namora um diretor por um tempo e blas. Nate e Chuck passam um tempo em um colégio interno rígido e estranho. Depois, Nate vaga por um tempo mas acaba indo para Brown, como Jenny. Chuck vai para Oxford.)

Verdade que os livros de Gossip Girl nunca foram um exemplo de profundidade, mas o desejo de dar amplitude TEMPORAL acabou sacrificando, sim, um pouco, as histórias. Quando a autora tentava dar uma refinada, ficava claro que não tinha por onde. Exemplo: depois de um comeback fortuito entre Dan e Serena, quando os dois terminam sem a gente nunca ter a real dimensão de como conseguiram namorar tanto tempo se era só o “desejo pela perfeição” do rapaz e uma certa inércia da moça, a Cecily tenta lançar uma luz em porque tudo fracassou entre eles e não consegue passar de uma comparação de que era bonita por fora mas vazia por dentro. Oh really.

No meio da correria, quase tudo, na verdade, parece fortuito. Dan e Serena voltam, Blair trai o namorado, Blair volta com o namorado, Blair viaja e encontra Chuck etc etc. O centro de tudo continua sendo o triângulo amoroso que começou com esta história e isso, ainda bem, segue tendo uma certa graça. Claro que, grosso modo, é cansativo. Inúmeras vezes a história tira do bolso a carta da briga entre Serena e Blair – muito, demais – e o fato de que as duas parecem atraídas como mariposas para a luz quando perto de Nate. E o Nate sempre dando no pé – quando ele foge no barco depois de mais uma briga das duas amigas, se sentindo culpada, e com a JENNY, ainda por cima, meio que suspirei. ADENDO: nenhum peso para a primeira vez da Jenny. Simplesmente umas linhas sobre como eram insípidos os garotos da escola e fim.

Pelo menos estes aí seguem emprestando certo sentimento aos seus AVATARES. Nate pior, verdade, perdeu um pouco o charme e nesse livro sim está só o Ken da Barbie que todos os haters enxergam. Mas Serena continua sendo o melhor de S., as in: decisões erradas, ingenuidade a mil e uma vontade inerente, sincera e aconchegante de deixar tudo certo. Blair também é muito B., as variações insanas de humor, o desejo de controlar tudo, o egocentrismo infantil e a insegurança louca. Aprecio que a Cecily tenha gasto tanta energia em explorar o relacionamento das duas, sem muitas nuances, meio que ON/OFF apenas, mas ainda assim gosto que ela termine apontando para o fato de que o que IMPORTA nessa joça é de fato Serena & Blair, Blair & Serena, e a frenemizade comendo no meio. A série da CW meio que se esqueceu disso e eu acredito piamente que deixar as duas no BANHO MARIA foi um dos motivos para o fracasso da terceira temporada. Não digo que devemos ter CAT FIGHT toda hora, mas os roteiristas têm que se virar para deixar a amizade das duas mais prolífica e necessária ao programa, seja como for. Sou partidária ETERNA de que Gossip Girl é isso e de que os romancezinhos e blablabla devem servir a isso – mas nada de bobagem de shipperia waldsen RSRSRS.

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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