fringe – 02×20 – brown betty

Foi um filler, mas foi um filler charmoso – ainda que não tenha sido totalmente envolvente, reconheço os esforços que eles fizeram em fazer com que a história contada por Walter refletisse de certa maneira a história que assistimos se desenvolver semana a semana na TV. O tom caricatural, a mistura de ficção científica com noir e os poucos momentos musicais misturados obtiveram resultados variados. Em alguns momentos foi suave e agradável, em outros foi um poço de canastrice e obviedade.

O Walter da historieta é excêntrico, inventivo e algo manipulador, ou seja, se assemelha com o Walter que conta a história para a pequena Ella. Ao cantarolar sozinho e abandonado em sua sala, no final, “The Candy Man” Walter parece se perceber como alguém que cria e pode (como pode o doceiro), inventivo como é, mas fadado por isso mesmo a afastar os outros. A ciência, que aqui tem algo de mágico, meio que o cega pela ambição – e não ambição no sentido “feio”, de dinheiro ou coisas assim, mas a ambição de se superar, de dominar conhecimentos, de conseguir o impossível. Há mesmo, intrinsecamente, algo de profano na ciência, afinal.

Mas talvez esteja aí um dos problemas de “Brown Betty”: é muito on the nose, como dizem os americanos. As alegorias e referências são claras demais – Peter sendo o cara bonzinho disposto a dar seu coração para Walter até descobrir que ele “roubava sonhos de crianças” (o que também funciona como espelho da infância roubada por conta das experiências de Walter e William Bell), tudo isso é muito claramente o que estamos vendo na série no momento.

De qualquer maneira, me parece que essa é uma das propostas do episódio: eles são propositalmente diretos (Walter está contando a história influenciado por sua tristeza e pela droga, claro, rs), a historieta tem um tom cartunesco que combina com uma história sendo contada a uma criança – lembra mais a estrutura de um desenho animado do que de uma série de TV, todas as invenções de Walter têm um quê de inventividade ingênua e infantil (não só o coração, mas “um abraço” e coisas assim) ou de superplano de dominação (o zepelim usado para roubar o coração), Gene tá toda pintalgada lá atrás…

Eles também usam esse mistura algo insólita entre ficção científica, algo necessariamente moderno, e o clima noir detetivesco, essencialmente antigo. Essa parte foi o que teve de mais ou menos. Eles brincam com os signos e capricham usando as referências, mas para mim por exemplo ficou muito mais claro as limitações da Anna Torv como atriz – ela tá pura canastrice nesse episódio. A fotografia, no entanto, ficou muito bacana. E a referência ao John, com a fotinho do Mark Valley, derreteu meu coração.

O “musical” propriamente dito foi mais vendido assim como marketing, né? A própria Fox depois disse que seriam “elementos musicais” e tal. O resultado foi misto. Achei que as canções começam do nada com Walter cantando foram as que ficaram melhores – morri com “Head Over Hills”. Se primeiro pareciam puramente deslocadas, logo víamos que estavam pontuando. Broyles cantando também ficou ok dentro do contexto, mas é correr zero de risco colocar o cara para cantar enquanto está n’um piano n’um bar, né? Não existe DE REPENTE em um musical, se bem feito: as músicas surgem o tempo todo per si, são a razão de ser daquilo ali e blas. Num episódio de um seriado em que estão ali somente como figuração de vez em quando fica out of the blue, como Astrid cantando para a moça da agência de empregos. Em outros momentos, como Olivia cantando quando Peter está morrendo, parece apropriado e quase bonito.

“O que acontece no episódio?”. A rigor, nada. Olívia tem que cuidar de Ella durante a ausência de Rachel, mas está trabalhando tentando localizar Peter (não vemos nada disso) e deixa a sobrinha com Astrid e Walter, que conta uma história para diverti-la (e ela muda o final ao seu bel prazer, em busca de um “felizes para sempre”, tá certa). Walter está lidando com sua perda, muito lentamente, percebe-se. O único encaminhamento que dão é no final, como não poderia deixar de ser, e ainda assim é só um Observador notando, preocupado, a ausência de Peter.

Promo do próximo, qualidade ruim:

Fringe
Fox
Segunda temporada
Episódio vinte
Escrito por Jeff Pinkner, J. H. Wyman e Akiva Goldsman
Dirigido por Seith Mann

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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