fringe – 02×16 – peter

Belíssimo episódio de Fringe, que retornou nesta quinta-feira depois de quase dois meses de hiatu. Como prometido, tivemos em todo o episódio parte da história passada de Walter, a parte que explica como o Peter “do lado de lá” veio parar nessa realidade, e por conta disso a história não avançou realmente muito. Estamos ao final no mesmo ponto em que estávamos no início, mas isso sinceramente não importa. “Peter” respondeu algumas questões, tornou outras ainda mais enigmática e em todos seus 41 minutos conseguiu o principal: ser envolvente e até tocante, eu diria. Para ficar ainda melhor, o John Noble estava particularmente bem – tanto, como sempre, como o Walter de hoje como em sua versão anos 1980, mais nova, também em bom trabalho de caracterização da produção.

O episódio é basicamente as lembranças de Walter enquanto este tenta explicar para Olívia, que o tem evitado, o que aconteceu com seu filho, com o outro Peter, enfim, como tudo se passou. O ano é 1985 e Walter acabou de criar uma “janela” para o universo alternativo, que permite que ele consiga enxergar o que se passa do lado de lá. Como o outro universo é mais avançados em alguns pontos, ele se entrega especialmente à observação dos avanços do Walter Alternativo, também em busca de uma cura para Peter. Sim, nos dois universos Peter tem uma estranha e mortal doença e nos dois universos seu pai cientista está falhando miseravelmente em encontrar uma cura.

Um dia, o Peter do lado de cá morre. É devastador para Walter e para sua esposa, Elizabeth. Walter se entrega ainda mais obsessivamente à observação da outra realidade: ele quer ter certeza de que o outro Peter não vai morrer. Ele mostra o garoto através da janela para sua esposa e garante: Peter pode viver, pode crescer, ser feliz, “não aqui”, entretanto. Algum tempo depois, Walter observa sua versão alternativa chegar bastante perto de um bom resultado, mas ser distraído pela aparição de um estranho homem: o Observador. Vendo que o outro vai deixar aquele caminho que julga ser correto de lado, Walter fica desesperado, determinado a não permitir que Peter “morra novamente”, como diz a sua ajudante (que creio ter sido a mesma que vai morrer n’uma explosão e levá-lo para a clínica…).

Convencido de que poderá criar a cura, tendo o conhecimento que tem e mais o que já observou do Walter-Alternativo, Walter resolve abrir um buraco para a outra dimensão. Sua assistente é veementemente contra: ela diz que é preciso “haver um limite” e o motivo pelo qual eles vinham dizendo que isso era impossível para o Exército era justamente por ser algo extremamente perigoso. Vendo que o colega não a ouve, a mulher procura Nina Bell (também ela mais juvenil, bela peruca rs) e as duas vão se postar ao lado de Walter enquanto ele tenta alcançar sucesso no experimento (n’um lago congelado, perto da casa de lago da família Bishop, como vimos anteriormente).

Nina apela para William Bell, mas Walter despreza e joga para fora a mágoa que vem sentindo do amigo – que mandou a ajudante levar suas condolências no enterro de Peter. “Ele está muito ocupado até para vir aqui me impedir de destruir o mundo?” zomba. Ainda não vimos exatamente como Bell e Walter se separaram, mas os termos amigáveis certamente escondiam sentimentos menos agradáveis… Enfim, Walter consegue fazer o buraco e atravessa, Nina agarrada a ele tentando contê-lo… E finalmente vemos o bizarro acidente que deixou Nina com sua mão de prótese: a mão passou pelo buraco e o corpo ficou.

No outro universo, Walter vai para sua casa e fica emocionado ao encontrar o outro Peter. É visível que nesse lado alternativo Walter não é tão próximo do seu filho – de fato, a cena em que vemos no “nosso” universo, de Walter brincando com Peter e uma moeda, acontece entre mãe e filho nessa outra versão. Peter fica genuinamente surpreso ao ver o pai, assim como Elizabeth. Emocionado, Walter diz que encontrou a cura e quer levar Peter imediatamente para o laboratório. É uma cena muito bonita e muito cruel: Elizabeth fica extremamente feliz, veste o garoto rapidamente, pega seu casaco… E aí Walter a enrola para ela não ir com eles e leva o garoto, n’um sequestro, de certa maneira. O próprio Peter, estranhando muito tudo, chega a dizer “você não é meu pai”, mas Walter diz que claro que é e promete curá-lo.

Do outro lado, acontece aquele acidente que já sabemos: os dois quase se afogam quando o gelo do lago cede e o Observador intervém e os salva. “O garoto é importante. Ele precisa viver”, ele diz a Walter. Como vimos mais cedo, o Observador entrou no laboratório quando o Walter-Alternativo estava prestes a criar a cura. “Eu precisava ver, certo?”, ele diz aos outros observadores. Mas sua interrupção, sua presença, mudou o curso dos fatos e, segundo os colegas, criou nova configuração de probabilidades, exigindo que ele interfira para alcançar o “balanço” – que nesse caso parece ser garantir que Peter viva.

Walter realmenet consegue a cura. Ele continua dizendo à assistente – e no presente garante a Olívia que sempre foi sua intenção – que pretende devolver Peter. Eu não acredito muito. A emoção e uma certa ganância (não é a palavra certa, mas vai assim mesmo) dele quando viu o garoto lá em sua outra casa foram demais. Ele poderia ter sido sincero com a outra Elizabeth – mas não, saiu na calada da noite e levou o menino se fazendo passar pelo pai dele (discussão ético-filosófico-biológico: apesar de serem de universos diferentes, Walter e Peter são pai e filho? Digo, geneticamente? Walter estava errado ao dizer veementemente ao jovem Peter “sou seu pai, sim”? etc). De qualquer sorte, o golpe fatal foi quando sua esposa viu o Peter alternativo, ficou emocionada, abraçou. Ele não poderia devolver o garoto, explica a Olívia.

Então é isso. Fico extremamente curiosa para saber da Elizabeth, aqui e ali, e, claro do Walter-Alternativo. Ele está comendo mosca esse tempo todo? Duvido! Fiquei muito curiosa também com a enigmática frase de Nina, ao tentar deter Walter, dizendo que ele sabe da importância que Peter tinha para ela. Como assim? Será que é só carinho entre conhecidos ou ela tem alguma ligação a mais com ele? Qual a importância de Peter?

Como o @sepinwall bem falou, esse episódio lembrou um pouco o de Richard em Lost. Parecem dois pequenos filmes dentro das séries, explicando coisas – e, como tal, sempre tem essa percepção de que “só falou o que a gente já sabia”, porque a gente meio que já sabia em linhas gerais o que tinha se passado. Mas essa mergulhada nos detalhes valeu muito a pena. Fringe voltou bem. Bem feita, bem cuidada – reparem que nos créditos desse episódio constam todos os principais produtores da séries (exceto o JJ galinha-dos-ovos-de-ouro, claro), todo mundo meteu a mão na massa. É um episódio importante para a série e eles encararam de frente. Fizeram até uma aberturinha vibe anos 80 – que eu espero que não volte, porque amo a musiquinha de abertura no ritmo já conhecido – e fizeram o mesmo com a fonte usada para identificar lugares e anos. Uma belezinha.

Agora a promo do próximo (Olivia. In The Lab. With The Revolver.), vamos ver como conseguem voltar pros casos da semana sem ser muito anticlimático, misturando com a grande história.

Fringe
Fox
Segunda temporada
Episódio dezesseis
Teleplay por Jeff Pinkner, J.H. Wyman e Josh Singer
História por J.H. Wyman, Jeff Pinkner, Akiva Goldsman e Josh Singer
Dirigido por David Straiton

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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