skins – 04×07 – effy

Nenhuma surpresa que o episódio da Effy tenha sido o mais fraco da temporada, mas ainda assim fiquei absurmente atônica com certos caminhos que os roteiristas acharam por bem seguir. Como já falei várias vezes, sempre tive problemas em compreender porque a série tratava os personagens adultos de maneira tão intencionalmente ridícula. Está claro que eles pretendem algo, e para mim só pode ser realçar o absurdo de gente que deveria cuidar dos jovens, ser exemplo etc, enfim, dos ADULTOS serem uns fudidos tão grande. Para mim, entretanto, eles nunca fizeram isso muito bem – sempre fica algo meio estranho – e ao misturarem ainda com uma aversão boboca a psicólogos e terapeutas que a série veio demonstrando a temporada toda o resultado só poderia ser extremo e desastroso.

Depois da tentativa de suicídio da Effy, ela se interna em uma clínica e começa a receber tratamento psicológico. Seu terapeuta, John, tenta ajudar a garota a lidar com alguns de seus traumas mais fortes, como o atropelo do irmão Tony, que modificou tanto a vida de toda a família Stonem. Ele a faz encarar aquilo e ter uma postura de que o passado é algo trivial – poderia não ter acontecido, como ela diz a Naomi. “Mas aconteceu”, diz a menina, meio surpresa. Effy parece viver em um mundo de ficção, agora, e inclusive se apresenta a Cook, lá pela metade, como Elizabeth.

Durante o tratamento, Effy se afasta de Freddie a pedido do terapeuta, mas assim que recebe alta corre para ver o namorado e os dois parecem retomar a coisa bem – só para Freddie ficar meio questionando o trabalho de John e se colocar n’uma postura clara de antagonismo. Depois, ela acaba renegando aquela vida, os amigos, o namorado, dizendo que estão em “locais diferentes”. Ela está algo desiludida porque o coordenador da escola quer (AGINDO RIDICULAMENTE, claro) modificar suas notas para que seu fracasso acadêmico não reflita no colégio. Depois, ela tem também um reencontro pacífico e sem personas com Cook – só para depois, ao rever o lugar em que Tony foi atropelado, ter uma epifania (cena horrível, em minha opinião) e querer se afastar do tratamento.

Depois, Freddie recebe um convite para conversar com John e vai lá numas de dizer “se afaste”, “não queremos mais você” e acaba ficando claro que o terapeuta tem uma paixão doentia por Effy – e eles levam isso ainda adiante com ele MATANDO FREDDIE A PAULADAS. Agora, uma coisa de cada vez: uma coisa é que eu acho que os criadores sentem a necessidade de ter uma morte para lidar e essa morte absurda e banal de Freddie se uniu aqui com 2) essa trama bizonha dos terapeutas monstruosos. Como eu disse, a série não gosta muito de psicólogos. Já vimos Emily tendo más experiências em um, J.J. sendo medicado sem consciência em outro e aqui vemos Effy se dedicar a uma vida mais regrada depois de sair da clínica – uma vida que inclui uma tabela de horários algo rígida e muitas pilulas.

Entendo que no mundo de hoje metade do mundo parece ser groupie de remédios e a outra metade lida com isso como se fosse o DIABO. Acredito que moderação cai bem para todos os lados. Em Skins, todos os terapeutas são mostrados como charlatões ou doentes. O conselheiro da escola é uma piada. O psicólogo de JJ, como disse, passa remédios a torto e a direito. E John, caralho, MATA O NAMORADO DA PACIENTE. É claro que como todos os adultos são babacas, ou quase, na série, fica difícil dizer até que ponto é uma postura de psiquiatras-e-remédios-vão-foder-com-sua-cabeça, que acho boba, ingênua e perniciosa, ou até que ponto se tratam de adultos sendo, bem, os babacas, cínicos, manipuladores de sempre no mundo Skins. Me parece que John é bem o primeiro caso, já casos como o cara da escola seria mais o segundo.

De qualquer maneira, me pergunto o que a série quis colocando o terapeuta da Effy matando o Freddie. Eles claramente quiseram criticar a “manipulação” que Effy sofria na mão do cara, mas foram ainda um passo adiante com essa trama doentia. Só acho que foi por, como disse, eles quererem trazer a morte para perto dos personagens (na geração 1 foi o Maxxie) e também pelo fator WTF – e é impressionante como tem gente que abre as pernas por qualquer momento de surpresa, que compra tudo para ser surpreendido. Sinceramente, essa história maculou totalmente o final de temporada – inclusive a season finale, que já assisti e achei bem razoável. É o tipo da coisa que não dá para você ignorar, relevar, é grande demais para a gente passar por cima. Horrível.

(De resto, muito psicologismo barato e mau atuado, sinceramente Effy e Freddie são os atores mais fracos da nova geração, aquela coisa do pato de pelúcia me matou um pouco).

Skins
E4
Quarta temporada
Episódio sete
Escrito por Jamie Brittain
Dirigido por Daniel O’ Hara

Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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