men of a certain age – 01×02 – let it go

Um episódio de pequenas vitórias para nossos herois (quase) cinquentões: depois de uma montanha russa de acontecimentos, Owen consegue dizer alguma verdade para seu pai e irritar um pouco o irritante Marcus; Terry resolve reagir diante da falta de consideração, educação e civilidade de alguns idiotas; e até o Joe consegue entabular uma conversa com a moça bonita da caminhada -e perceber que ela já o reconhecia – e ter um princípio de algo com uma colega do hotel. É verdade que para ele tudo tem um gosto amargo: ouvir de sua ex que ele pode, sim, seguir adiante é como levar um tapa na cara e o final do episódio o pega frustrado e recaindo no vício do jogo.

Owen começa o episódio tendo seu carro trocado por um pior – os carros são da concessionária e servem como incentivo e, no caso, punição, para os vendedores. Em casa, o filho zomba do carro novo, pequeno, e a esposa fica indignada com a troca – tanto que no dia seguinte vai fazer cena lá no local de trabalho do marido, brigando ostensivamente com o sogro. Envergonhado, Owen pede que a mulher ligue para o pai se desculpando, mas aproveita para dizer umas verdades ao pai também, ressaltando que não é o pior vendedor da loja e portanto não mereceria receber o pior carro. “Isso não é meritocracia! Isso é merdocracia!”, grita, dizendo que o pai cobra mais dele por ele ser seu filho. Percebendo que isso é verdade, o pai acaba permitindo que ele escolha qualquer carro – e só para irritar Marcus, ele escolhe o conversível que o adversário estava dirigindo.

A série tem essas coisas que são plain humor, como Marcus passando zombando de carro diante de Owen – e no episódio passado foi a cena de Owen empurrando o colega -, mas tem uma inocência agradável, é meio exagerado, mas simpático. E é óbvio que o pai exige mais de Owen: é uma maneira fácil e um pouco subconsciente de não demonstrar favoritismo, tipo, se preocupa tanto com isso que acaba fazendo o oposto, e também porque, lá no fundo, ele espera mais de seu filho. É deprimente para ele ver seu suposto herdeiro cochilando no expediente, chegando arfante em reuniões e, simplesmente, não se destacando. Mas achei saudável que ele reconheça que, sim, suas pressões podem ter uma parte importante na maneira com que o filho se porta e que uma punição mais severa do que o necessário é simplesmente injusto.

E Terry passa o episódio em uma pequena vendetta contra os idiotas do mundo: quase atropelado por um cara na rua, que não lhe dá a mínima, ele consegue com um colega do trabalho o endereço do cara pela placa e vai bater na porta dele (depois de um discurso em que ele tenta incentivar os amigos e Owen diz: tenho uma vida, coisas adultas para fazer – em certo sentido essa vingança de Terry é meio que não ter uma vida em que prestar atenção mesmo). Quando ele bate, abre uma mulher, o cara vem com um bebê no colo e tudo meio que fica parecendo uma babaquice, mas ele está lá e segue seu plano: “Você quase me atropelou hoje na rua”. O cara pede desculpas meio desconfiado, mas logo eles batem a porta e ameaçam chamar a polícia.

No dia seguinte, outro cara age como um idiota com ele na rua e ele vai para cima – só para sair do carro um cara IMENSO. Mas Terry simpaticamente consegue a melhor: entra no carro e sai dirigindo – quando está prestes a largar, o cara chega correndo (corre muito mesmo!) e ele joga a chave na varanda de um apartamento. É uma pequena vingança que não se presta a nada a não ser tirar um peso dos ombros de Terry e isso já é algo, né? Quanta grosseria e falta de educação a gente não engole no dia a dia? Devolver um pouco é legal.

Joe, por sua vez, tem um episódio pesado. No hotel em que vive, ele se recusa a ser chamado de “morador”, querendo negar que realmente já é um habitué do lugar, estando lá há meses; diante da questão da filha sobre quando ele vai arrumar um apartamento, desconversa falando que “nunca se sabe”. A verdade é que ele ainda alimenta as esperanças de que possa retomar seu casamento e assim suas pequenas vitórias com as mulheres nesse episódio – primeiro conseguindo falar e ser reconhecido com a moça da caminhada e depois sendo beijado pela vizinha – acabam soando como derrota: ele fala com a ex-mulher, que deixa claro que para ela o casamento terminou mesmo e que ele pode retomar sua vida amorosa. Ele tem diante de si possibilidades, quando não queria ter: é doloros.

Em meio a tudo isso, Joe volta a jogar meio pelas beiradas, mas isso fica gritante para os amigos por conta do interesse exacerbado e algo doentio dele pelo final de um jogo de basquete que assistiam na TV. Os caras não dão mole: botam contra a parede, dizem que ele precisa de ajuda, que aquilo destruiu seu casamento… Joe reage dizendo que é adulto e pode fazer o que quiser, mas despeja sua raiva esmurrando e destruindo o Hulk do filho de Owen.

Um episódio forte, que mistura peso e leveza de uma maneira interessante e aumenta ainda mais as apostas em relação ao Piloto.

Men of a Certain Age
TNT
Primeira temporada
Episódio dois
Escrito por Mike Royce e Ray Romano
Dirigido por Scott Winant

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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