lost – 06×06 – sundown

Até que ponto somos reféns de nós mesmos, dos nossos próprios caráter e inclinações, até que ponto somos realmente livres para mudar e o quão estamos presos à inevitabilidade de sermos o que somos? Quando Dogen diz a Sayid que ele estaria melhor morto e que a “balança do mal” pesa mais dentro dele, o iraquiano reage dizendo que é “um homem bom”. Ao longo de Lost, vimos muitas vezes a luta de Sayid para seguir em um caminho correto e tranquilo – mas como um pesadelo seu passado, seu ofício, sempre voltava para cobrá-lo. Sempre que parecia que ele ia conseguir dar um ponto final às torturas, à violência, mas quando algum serviço sujo precisava ser feito as pessoas sempre recorriam a ele. A única coisa que ele sempre quis, ele diz aqui ao FLocke, era Nadia e uma vida de paz, mas vemos reforçado mais uma vez, nas duas linhas temporais simultaneamenet, que Sayid é um homem fadado à violência.

Curioso observar que enquanto pudemos ver Kate conseguindo escapar, Locke prestes a casar com Helen e Jack sendo alguém mais tranquilo e capaz de admitir erros ao filho, a vida de Sayid no flash sideway ainda é meio que um pesadelo. Nadia está casada com Omar, seu irmão, com quem tem dois filhos e leva uma vida pacífica em Los Angeles. A atração óbvia entre os dois é apenas mais um ponto de tortura; Sayid, pesado com todos os pecados que carrega, não sente que a merece (e Nadia dá a entender que ele a empurrou para Omar).

Quando Omar se vê diante de problemas financeiros e ameaçado por homens liderados por, ahem, Keamy, ele recorre ao irmão. “Eu sei o que você faz”. É um estigma, uma marca que não some, um pecado original e é também um pouco o que Sayid é. Embora ele nunca tenha optado pela violência gratuita, ele sempre mostrou uma facilidade maior em ceder a ela, o que nos foi mostrado tempos atrás em uma cena que mostrava os dois irmãos ainda crianças. Enquanto Omar não conseguia matar uma galinha, para irritação do pai, Sayid o faz. A ação dele foi tanto para aliviar o irmão como uma opção de alguém que de alguma maneira parecia sentir menos esse fardo. Não que Sayid não sinta culpa, se arrependa ou sinta o peso de suas ações, pelo contrário: mas ele simplesmente é uma pessoa que enxerga esse caminho e consegue ir nele até o fim. Ele é alguém que faz o que outras pessoas não conseguem e sempre foi assim.

E se em Los Angeles Sayid não ouve aos apelos de Nadia e vai se encontrar com Keamy para pôr um ponto final no assunto, na Ilha ele sofre uma tentativa de homicídio por parte de Dogen, convencido de que ele é mau, e depois é mandado direto para uma armadilha ao ser enviado para matar o FLocke. É claro que ele não pode matar o monstro de fumaça, como explica pacientemente o próprio, e fica claro que Dogen o enviou na intenção de que não voltasse. Seduzido pela promessa de FLocke de que talvez ele possa ter a única coisa que sempre quis, Nadia, Sayid resolve seguir por esse caminho sem olhar para trás e há um pouco de satisfação nele ao se entragar à matança sem muitos remorsos, pausas para reflexão ou coisa do tipo.

Ele age como um homem com uma missão: volta para o Templo, avisa que agora que Jacob morreu estão desprotegidos e que todos têm até o pôr-do-sol para decidir se preferim seguir MIB para sair da ilha ou ficar e morrer. Depois, segue adiante e mata Dogen, com toda tranquilidade, e depois Lennon, que aparece no caminho. A impressão que eu tive é de ver um Sayid um pouco dormente e, como já disse, algo satisfeito. Pela primeira vez, ele não parece estar lutando contra seus instintos violentos. Ele fez uma espécie de pacto com o diabo e pelo jeito vai seguir esse caminho até o fim (ou quase lá, será que vão oferecer redenção? Por que Sayid é daqueles que SÓ APANHA nessa série).

E aí chega o pôr-do-sol e o Monstro invade o Templo e mata todos que ficaram por ali. Com exceção dos personagens que importam, claro: Claire e Kate se protegem no buraco onde Claire foi jogada quando apareceu com o recado do FLocke, e Ilana, que chegou com o pessoal da praia, agarra Miles e esconde todos em uma das paredes secretas do local.

E assim vemos uma divisão de lados. Seguindo FLocke, temos Claire, Sayid e uma atordoada Kate, que foi parar ali meio por acaso, depois de voltar ao Templo e descobrir que Claire estava lá. Ela foi conversar com a australiana, falou que estava com Aaron, mas não deu tempo para sentir que Claire não está só meio estranha, e sim totalmente pertubada. Ela os segue meio desconfiada. Ah, ainda tem o Jin – e, por sinal, no outro universo, como ele foi do aeroporto para as mãos de Keamy & cia?

Do outro lado, temos Ilana, Lapidus, Ben, Sun e Miles. Perdidos na selva, Hurley e Jack. E tem o Sawyer, que está com o MIB, mas nesse episódio não apareceu. Qual será o próximo passo? FLocke age como se estivesse libertando pessoas que estavam aprisionadas pelo medo e cegueira, mas dá para acreditar em um cara que mata quem não quer segui-lo? De qualquer maneira, nesse episódio Jacob mais uma vez é pintado como alguém manipulador. Algum dos dois lados realmente está certo? Qual deles?

Enfim. O episódio foi um pouco previsível do ponto de vista do que aconteceu na ilha e as coisas que acontecem fora, por enquanto, têm um peso muito baixo para a equação (pelo menos até saber o que de fato são, o comprometimento com isso fica um pouco baixo. Parece que estamos vendo só algo QUE PODERIA SER, como um sonho, enfim), mas conseguiu ser envolvente no sentido mais profundo do que é um episódio character-driven, o que é especialmente gratificando em se tratando de Sayid – sempre, sempre, sempre recompensador.

Promo do sétimo, Dr. Linus

Lost
ABC
Sexta temporada
Episódio seis
Escrito por Paul Zbyszewski e Graham Roland
Dirigido por Bobby Roth

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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