lost – 06×05 – lighthouse

Pela primeira vez nessa temporada tive a real sensação de desapontamento. Por um segundo, exatamente quando Hurley falava que eles estavam “old school”, eu vi o programa se dobrando sobre si com uma auto-referência que me pareceu um pouco condescendente. Não estou falando sobre as malditas respostas, mas me parece que gastamos 40 minutos e caminhamos muito pouco. Sinceramente, a esta altura do campeonato Cuse & Lindelof (e Jacob) precisavam fazer tudo para manter um mistério só pelo mistério? A jornada de Jack e Hurley parece um pouco esvaziada quando Jacob dá aquela olhada de “ele fez o que era esperado”.

Talvez eu esteja sendo severa com o episódio. Não foi ruim – até foi o episódio da sexta temporada que achei mais bem feita a conexão entre os dois universos narrativos, com tudo de um lado ressoando e dando mais significância ao que acontecia do outro. Mas se considerarmos que ainda é impossível dimensionar os flash-sideways e saber sua significância e que a trama de Jack e Hurley foi um pouco um logro, sobra somente Jin e Claire, que foram o ponto alto do episódio. Fica especialmente decepcionante considerando que o episódio veio da tríade Lindelof-Cuse-Bender.

O Jack de fora da ilha é mais calmo e, inesperadamente, tem um filho, David, com quem também tem um relacionamento alquebrado. Enquanto tenta resolver os problemas em relação à morte de Christian, Jack também busca melhorar seu relacionamento com o filho, um talentoso músico mirim que ele vê pouco (nenhuma palavra sobre quem seria a mãe, apenas sabemos que o casal é separado).

Na ilha, a questão da paternidade também atormenta Jack. Quando Hurley, instruído por Jacob, tenta convencê-lo a ir em uma missão, é a frase “You have what it takes” (“Você tem o que é preciso”) que faz o serviço. A negativa da frase foi dita, anos atrás, para um Jack criança, da boca de Christian Sheppard. Toda sua vida, Jack teve que viver com o fantasma da desaprovação do pai por sobre o ombro. Durante essa jornada rumo ao farol, Jack e Hurley passam pela caverna e ele se lembra mais vividamente ainda do pai – de como o seguiu até ali só para se frustrar. (E Hurley faz as vezes de audiência e fala que “Podemos ser nós mortos”, se referindo a Adão e Eva, nas eternas piscadinhas de olho da produção). Os dois, realmente, lembram muito o Lost antigo, andando sem rumo pela ilha, cegos ao que está realmente acontecendo e qual o seu papel nisso tudo.

No farol, não vamos descobrir o que Jacob quer de Jack, finalmente, o que muito o frustra. Só temos reforçada a ideia de candidatos, de que Jacob observava a todos, que todos estão lá por um propósito – e, conforme Jacob diz a Hurley, cabe a Jack perceber que tem algo a fazer e o que ele deve fazer. Apesar de todos os empurrões de lá e de cá, ele está sozinho nessa – precisa chegar lá por si só. Porque ele não pode simplesmente explicar as coisas? Tornaria menos “legítimo” o comprometimento? Ou esvaziaria a trama desses vapores de mistério? Não sei. Jacob precisava que Jack fosse até o farol e temos que acreditar que algo que ele viu ali o fará chegar a alguma conclusão sobre que sacrifício deverá fazer pela ilha (ou por qualquer coisa). De qualquer maneira, depois de seis temporadas vendo Jack bater cabeça e levar porrada de todos os lados, espero que ele consiga alguma redenção.

Já da parte de Claire, ela é uma Rousseau com muito mais crueldade, né? Matar um cara que estava rendido a seus pés, amarrado, foi algo que a francesa nunca fez. Mas dá para ver que além de meio alucinada pela solidão Claire também está sendo manipulada – e vemos por quem quando o misterioso “amigo” dela surge. Jin vai lentamente percebendo que Claire não é mais a afável australiana de três anos atrás – e depois de tentar inutilmente salvar a vida do cara do templo acha melhor inventar que mentiu sobre Kate estar criando Aaron.

Sem contexto algum, também, não é de espantar que a paranoica Claire passe longe de sentir gratidão e imagine que de alguma maneira Kate tenha tirado seu filho dela – como só vimos Aaron abandonado na floresta, não sabemos exatamente o que se passou realmente, se alguém roubou o bebê da mãe. A versão zen da Claire que havia aparecido na cabana anteriormente não parecia muito preocupada com o filho e até se podia pensar que ela o tinha deixado para trás, mas isso parece improvável agora. O quão sábio foi, da parte de Jin, fingir que Aaron está no templo, não sei, mas de qualquer maneira ele se comprou um pouco de tempo – e imagina que ganhou o reforço do pessoal que está lá. Aparentemente, o bicho vai pegar no Templo, a crer no que Jacob disse e vendo que Flocke e Claire devem tomar esse caminho…

– Agora, realmente tem alguém para chegar na ilha ou foi tudo conversa de Jacob?
– Sério que Jack não perguntou nada da Claire pro Dogen? O cara soltou aquela bomba e ficou por isso mesmo? Porque tudo que ele fala para Kate é que ALGO ACONTECEU com ela. pqp.
– Por falar no japonês, ele aparece no flash sideway. Provavelmente quando soubermos mais sobre o que se trata tudo isso essas conexões façam mais sentido, enfim, de segunda imagino que vá ser melhor. Por enquanto, parece apenas a coincidência – ou o destino corrigindo curso -, como nos demais reencontros.
– E Kate, depois de uma temporada de distração, retoma sua meta de encontrar Claire. Vá com cuidado…
– Temos pelo menos três mulheres listadas nos números: 32 Rutherford (Shannon), 20 Rousseau (Danielle) e 51 Austen (Kate). Ainda temos também Littleton, que alguém pode vir chutando que seria Aaron, mas pela faixa etária e por todos os outros, faz sentido ser a Claire. Apesar disso, as pessoas insistem em dizer que os candidatos restantes são todos homens. Pode ser que sejam, mas o próprio MIB deixou em aberto que Kwon pode se tratar de Jin ou Sun, então não vejo porque descartar automaticamente isto. Ainda que, de fato, Kwon seja originalmente o sobrenome de Jin, não da esposa (mas são só nomes, né? Não são COISAS TATUADAS NA EXISTÊNCIA DAS PESSOAS, são mutáveis. Aaron para mim, por exemplo, nem tem sobrenome hahaha)
– Mas permanece a questão: por que a Kate não tem um “número especial”? Ela é a única dos que foram tocados que não faz parte da equação.
– Não dá para julgar Lost por ser auto-referente, mas nesse episódio o auto-consciência, auto-referência e tudo mais me incomodaram um pouco.

Promo do próximo, Sundown:

Lost
ABC
Sexta temporada
Episódio cinco
Escrito por Damon Lindelof e Carlton Cuse
Dirigido por Jack Bender

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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