grey’s anatomy – 06×15 – the time warp

O prometido episódio com flashbacks mostrando o Chief (sorry, Derek, sempre vou chamá-lo assim) e Ellis Grey quando jovens não decepcionou. Misturou casos médicos de destaque com uma boa dose de drama para os personagens, além de ter um um gostinho bom de presente da produção para nós telespectadores. Com a lembrança de casos que ajudaram os médicos a se tornarem quem são, a melhorarem suas habilidades, a perceberem mais claramente o que importa na profissão, Grey’s acabou prestando uma bonita homenagem à medicina e à vocação de todos os nossos queridos personagens.

A espinha dorsal de “The Time Warp” é Richard. Ele não é só o narrador do episódio, ele serve de guia também. Vemos que ele tem frequentado reuniões do Alcoolatras Anônimos e está abstêmio, pensando também em retomar seu trabalho. Mas ao procurar Derek ele descobre que pode, sim, voltar para o Seattle Grace – mas não mais como Chief. Um pouco ofendido, ele recusa, mas acaba concordando em fazer parte do primeiro ciclo de palestras, um hábito que Derek resolveu retomar. “Mostre que você se importa com esse hospital”, diz Derek.

Além do Chief, Miranda e Callie vão falar no evento e têm direito ao seu flashback. O episódio é costurado dessa maneira: mistura as falas do três e também as lembranças dos três. Cada um escolhe um caso definidor de sua carreira, por esse ou aquele motivo, e compartilha com os colegas. A nervosa Callie, um fracasso em falar em público, conta o único caso da noite que é da época “Grey’s”, embora na época ela ainda não estivesse na série (nunca tinha aparecido). Na época, Alex era um interno e se oferece para trabalhar com ela no caso de um estudante que sofreu com polio quando era criança e há anos não consegue sequer ficar de pé.

Callie acaba prometendo ao cara que vai fazê-lo andar novamente, o que deixa o Chief possesso, claro. Durante a primeira cirurgia, eles têm que parar por conta dos pulmões fracos do paciente, mas ele quer tentar novamente. Assim, algumas cirurgias penosas e difíceis depois, ele acaba conseguindo retomar os movimentos das pernas e conseguindo caminhar.

Durante o flash, vemos que Alex deixa Callie confundi-lo com George, por conta daquele episódio da operação cardíaca no elevador. Eventualmente, no PIOR MOMENTO (aka mesa de cirurgia) ele tem que assumir que, ops, aquele não era eu, era O’Malley. Mas isso não parece azedar muito a coisa entre eles, já que depois do resultado positivo os dois acabam tendo um rala e rola… Como Arizona pelo jeito percebe hahahaha.

Na palestra de Miranda, muito mais didática do que a dos outros, vemos ela se relembrando de quando ela era uma interna. De dreads, se apresentando como Mandy, uma muito mais suave Bailey já é uma médica dedicada e atenta que se destaca aos olhos do Chief. Mas a médica residente não parecia ir muito com a cara dela… O caso é de 2003 e Bailey tinha uma paciente que sofria com dores crônicas. Muitas cirurgias depois, nada se resolvia.

Quando a paciente retorna mais uma vez, MANDY cancela a cirurgia, o que deixa a residente irritadíssima. Ela faz questão de jogar na cara de Bailey toda hora quem manda ali. Muito mais do que Nazi, já que Miranda sempre foi dura mas nunca injusta, vemos que a residente pega no pé dela mesmo. Mas Bailey resiste, responde (leva uma carão amigável do Chief), e ensina na palestra que o mais importante para fazer um diagnóstico é a história do paciente. Vemos ali o surgimento da Miranda que conhecemos – não mais alguém tão passiva, mais segura do que faz.

Por fim, temos o caso de Richard. É o mais antigo (1982), era o mais promissor e foi o melhor, por um lado, ainda que tenha me frustrado por outro. Na época, Richard era o único negro no programa do Seatlle Grace, enquanto Ellis Grey era a única mulher. Os dois têm um caso.

O caso é de um paciente com Aids, na época, primórdios da doença, chamada de GRID (Gay Related Immune Deficiency). O paciente recebe a notícia muito mal – ameaça processá-los e tudo. O superior deles (Mitch HAMBURGUER haha /GG) também fica irritado com eles por terem sugerido que o paciente sofria de uma doença que na época sequer era uma unanimidade entre os médicos.

Como vemos, o paciente sai batendo pé só para voltar mais tarde com complicações e pedindo ajuda. Ele assume que tinha medo de assumir a doença. Ellis e Richard decidem operá-lo, mesmo sem muita garantia – e também com medo do que pode acontecer (ele chega a sugerir que ela não entre na sala, que ela tem “Meredith para pensar”; mais sobre isso em breve).

Não havia muito a ser feito, mas os dois ficam ali com o paciente – sem discriminação. No tempo presente, Richard faz novamente o Juramento médico, prometendo honrar a profissão e não discriminar por conta de raça, credo ou nada do tipo. É um momento impactante e forte. No flashback, no bar, Ellis o incentiva a tomar seu primeiro drink, que o colocou no caminho do alcoolismo, e ele diz que não vai largar sua esposa para ficar com ela.

Apesar do Richard ser o grande foco da história, não gostei muito da versão jovem dele. Não foi nada contra, especificamente, o J. August Richards, que o interpretou, ainda que ele não tenha sido lá muito expressivo. Eu simplesmente não consegui entender muito o Richard jovem. Vemos um jovem médico dedicado e só – nem dá para entender porque Ellis o queria tão desesperadamente. O tempo todo ele parece estar mais a serviço de Ellis Grey, essa sim muito bem interpretada pela Sarah Paulson. Vemos Ellis como já a conhecemos: viciada em trabalho, ela não fica muito receptiva quando um (algo hippie) Tatcher leva Meredith para visitar a mãe.

A personalidade forte de Ellis não parece suportar que depois que se tornou mãe tenha sido, em muitos sentidos, reduzida a esse papel. “Não sou menos cirurgiã por isso”, ela diz, profundamente irritada, quando Richard sugere que ela não entre para operar o paciente com Aids por conta da filha. Sempre soubemos que Ellis teve inúmeros problemas com a maternidade – nunca foi algo natural para ela, sempre um peso, algo em que não se encaixava e que ela acreditava que a reduzia, sim – e acho que esse episódio deu mais relevância a isso.

De certa maneira, acredito que o caso de Ellis com Richard era um escape para ela de sua vida doméstica. Quando ela diz a Richard que eles são reais, e não suas vidas fora dali, com Adelle e Tatcher (e Mer), ela deixa claro que tudo que existe fora daquele hospital parece um peso que tenta tirá-la para fora do seu eixo. Não é real. Real é estar ali, no Seattle Grace, fazendo cirurgias e se pegando no on call room…

Gostei bastante e adoraria ver mais da jovem Ellis no futuro.

Grey’s Anatomy
ABC
Sexta temporada
Episódio quinze
Escrito por Zoanne Clack
Dirigido por Rob Corn

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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