friday night lights – 04×13 – thanksgiving

E então chegamos ao final de mais uma temporada de Friday Night Lights, no que foi uma jornada algo controversa para os fãs da série, mas que pelo menos para mim foi repleta de bons momentos e valeu totalmente a pena. A previsibilidade já estava escrita na season finale da terceira temporada, na premiere “East of Dillon”, como alertei na minha review na época: todos sabíamos o que ia acontecer – i.e. o Eric ia conseguir fazer o Lions crescer e ia ser uma pedra no sapato dos Panthers. De qualquer maneira, se a temporada foi um pouco irregular, e se “Thanksgiving” foi previsível e com alguns clichês, a execução em si do episódio não deixou nada a desejar.

Aconteceu o que tinha de acontecer: os Lions venceram, acabaram com a classificação dos Panthers para as playoffs, acabaram com a temporada de futebol de Dillon… E nada mais merecido para os personagens, que tiveram uma temporada de cão, e para nós telespectadores! Ver os Lions virando o jogo, dando momento para Vince brilhar, Luke entrando brevemente para também fazer a sua parte e finalmente Landry dando o kick da vitória… Foi tudo como manda o figurino, mas não deixou de ser sensacional – e a direção usualmente magnífica de FNL estava ainda mais estupenda nesse jogo.

Foi uma vitória que a rigor não significa nada: os Lions continuaram não indo para lugar algum e devem ter terminado o campeonato em uma colocação pífia, mas o que realmente importa é ver Eric tendo sua pequena revanche contra McCoy, ver aquele time se tornando um verdadeiro time, imaginar o que será deles na quinta e provavelmente última temporada… Fora a delícia de ver um joguinho – o que realmente ficou de lado nessa temporada.

A temporada foi muito pesada nos dramas dos personagens e os escapes do futebol ficaram reservados para a finale, essencialmente. Que mundo cão! Vince viu seu melhor amigo morrer, logo depois de entrar no mundo do crime para ajudar sua mãe a ir para a rehab; Luke se contundiu; Becky ficou grávida e passou a temporada toda n’um crush não retribuído por Tim; Julie viu o fim de seu relacionamento com Matt – e da maneira mais dolorosa; Matt perdeu o pai; Eric passou por muitas desventuras treinando os Lions; Tami foi hostilizada na primeira metade da temporada por conta da divisão das escolas e agora no final com a questão do aborto; Landry terminou com Tyra, arrumou outra, perdeu a outra… E o Tim! Foi pra faculdade, desistiu, voltou e se envolveu com crime… Para terminar a temporada atrás das grades!

Ao contrário do que parecem achar muitos fãs eu creio que agora, 13 episódios depois, os novos personagens já estão mais organicamente integrados à série – e sinto isso mais agudamente, por mais estranho que pareça, com Becky. É claro que os personagens novos meio que espelham um pouco os antigos – Vince lembra Smash na necessidade de ter resultados com certa urgência, na necessidade de que o futebol funcione como um salva-vidas e os tire da pobreza, no flerte com atalhos; Luke lembra o Street, na retidão e até essa trama de se machucar lembrou uma versão BEM LIGHT do que aconteceu com o Jason; e é claro que nesse sentido a Becky lembraria a Tyra: as duas filhas da pobreza e de mães que têm um péssimo padrão para relacionamentos amorosos e tanto Tyra queria escapar disso como Becky também sonha em construir um destino diferente para si mesma – e luta cantando, tentando investir em um talento. Mas, fora isso, as duas são tão diferentes – Becky é tão menina, onde Tyra era tão mulher.

Não entendo porque a Mardison Burgee é a única dos novatos que não é listada na abertura – nenhum sentido -, para mim ela e Vince foram os dois personagens novos de destaque (embora eu adore o Luke). A Jess, mais do que tudo, só existia em função dos outros – fosse Landry ou Vince. Acho estranho que digam isso de Becky – que tem uma personalidade, uma história, um arco narrativo seu. A história de Becky não foi esse cometa isolado, como querem alguns: foi a história de uma relação de companheirismo com Tim, que ajudou o 33 a colocar certas coisas em perspectivas; foi a história de uma gravidez desajeitada e não-planejada que colocou um assunto importante no seriado; e mais importante para mim: ela, por si só, uma adolescente cheia de dúvidas, insegura, não tradicionalmente bonita, com um crush louco e algo infantil, isso já é algo que vale a pena. Não entendo o que as pessoas queriam de diferente.

Quanto aos nossos personagens antigos, a temporada foi menos generosa com eles. Antes de ir para Chicago, Matt estava sobrando nas tramas, e Tim em muitos momentos pareceu alguém solto ali dentro também – de resto, em paralelo perfeito com o que significava a volta de Riggins para Dillon. Nessa finale, vemos Matt retornando inesperadamente, para surpresa e mortificação de Julie, e os dois são um dos pontos altos do episódio. A mágoa de Julie, a reação muito sincera de Matt (“Se eu fosse me despedir, nunca iria embora”) e os dois hanging com toda a familiariedade e carinho do mundo aquecem o coração. E Julie compreendendo que não podia ir passar o final de semana em Chicago com ele, compreendendo que a história dos dois chegou ao fim e que ela precisa seguir seu caminho foi muito bonito. Algumas vezes é assim: claro que os dois ainda se gostam, mas não dá mais. Julie tem seus objetivos agora, Matt tem a sua vida, e os dois colocam um ponto final mais gentil na história – ainda que Matt pareça devastado com tudo.

E o Tim… ah, Tim… É claro que foi um ato heroico algo previsível, mas não deixa de ser algo tocante ver Tim assumindo toda a culpa pelo desmanche de carros e assim deixando que Billy fique livre para criar seu filho, cuidar da sua família. Tim se entrega à polícia e durante a caminhada parece dar uma fraquejada… De um personagem que tinha um futuro aberto à sua frente no início da temporada, tendo conseguido bolsa para faculdade e tudo, ele termina indo para a cadeia e isso é doloroso demais… Um episódio atrás, ele estava nas terras que pretendia comprar, conversando com Becky e dizendo que finalmente tinha entendido – depois de ir, vir, ficar bebendo o dia todo sem destino, sendo “o Tim Riggins” fracassado -, que era aquilo ali, era ter sua terra, seu trabalho, estar ao lado de sua família. Texas forever. Ver o pacato sonho de Tim se despedaçar por um próprio passo em falso dele é triste e deixa Becky completamente atordoada, também, tanto que ela o procura para fazer a decepcionada.

Depois que a mãe de Becky pegou os dois assistindo filme na cama e o destruiu, dizendo que ele não prestava e tudo mais, coube à garota ir atrás dele e dizer que ele era um bom homem. Ao saber do crime de Tim, Becky se sentiu pessoalmente magoada e aquela mágoa também atingiu o rapaz. Antes de ser preso, ele promete a Becky que vai voltar e que ela sempre pode contar com ele – o que, sejamos sinceros, foi verdade até hoje. Como sabemos, o Taylor Kitsch não participará de toda a quinta temporada, mas o produtor Jason Katims disse que ele deve participar do “máximo possível” e a melancólica cena de Tim indo se entregar não deve ser a última em que o vemos. O personagem deve ter uma despedida mais adequada na quinta temporada – assim como espero a volta da Tyra, prometida também -, mas se por algum motivo não acontecer vou gostar de imaginar que o Tim fez exatamente como planejou. Foi preso, foi solto, voltou e viveu sua vida.

Tami também teve uma temporada muito difícil, mas foi uma das personagens que mais gostei – o que é surpreendente porque o tom professoral dela sempre subia um pouco à minha cabeça, rs. Mantendo a dignidade quando acusada de favorecer os Lions, quando acusada de dividir as escolas desnecessariamente, passando por muitas situações delicadas, ela se encontra nessa finale em uma sinuca de bico: tem que fazer um pedido público de desculpas por algo que não fez ou corre o risco de perder o emprego. Manter a integridade ou o contracheque? Tami se convence de que é melhor ceder às pressões conservadoras da cidade e fazer o que vai mantê-la no emprego e ser melhor para sua família, mas hora h, diante daqueles rostos, simplesmente não consegue. Aquilo é essencialmente errado e injusto e ela não pode ir adiante com isso, implicitamente aceitar essa situação.

A quinta temporada deve mostrar também Tami e seus desafios na East Dillon (que delícia, ganharam novo fôlego no futebol com o Eric e agora FÔLEGO ACADÊMICO quem curte), onde volta a ser conselheira, vamos ver ainda mais os Lions virando um time, teremos a despedida de Julie (realmente vai seguir para a construção de casas para desabrigados?) e estou ansiosa para acompanhar tudo isso!

Como eu disse, a temporada não foi impecável – começou assim, mas se perdeu um pouco no meio, faltou fôlego em algumas horas, deu ênfase a certas coisas e esqueceu outras… Os produtores tinham muita coisa para fazer – finalizar arcos de personagens, trabalhar com um grupo novo de personagens depois de 3 temporadas essencialmente com as mesmas caras, um novo time para Eric comandar e para nós torcemos… Não era uma missão fácil e de vez em quando a série deu uma empacada, mas olhando para episódios maravilhosos como “East of Dillon”, “The Son”, “I Can’t” e até este “Thanksgiving” fico extremamente grata por FNL existir.

Friday Night Lights
NBC/Directv
Quarta temporada
Episódio treze
Escrito por Jasom Katims
Dirigido por Michael Waxman

Algumas imagens marcantes do episódio:

Recomendo aos amigos esse artigo do LA Times.

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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