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Quando “The Incident” encerrou a quinta temporada de Lost com a tela anormalmente branca, deixou duas questões no ar: 1) Juliet tinha conseguido explodir a bomba? e 2) A porra do plano de Faraday, adotado por Jack, iria funcionar? Damon e Carlton deram uma de Baby Sauro (“tudo! Eu quero tudo”) e optaram por não fazer uma escolha de cara. Assim, deveremos passar a temporada acompanhando dois programas paralelamente. Conforme eles disseram ao Doc Jensen, eles sentiam que “optar por um seria necessariamente frustrante” e nessa premiere podemos ver os dois cenários: naquele em que o plano deu certo os losties realmente posam em Los Angeles – dentre outras coisas, como a perturbadora imagem da ilha afundada nesta nova realidade.

Alguns detalhes estão diferentes, mas essencialmente todos são os mesmos: Jack ainda é um médico que tem o peso do mundo sob os ombros, Sawyer ainda é um gaiato – e muito provavelmente um golpista -, Kate ainda é fugitiva, Charlie drogado, Sayid ainda está em busca de Nadia etc.

Na outra realidade – ainda não sei qual das duas é “alternativa” ou se alguma é de fato “alternativa” -, tudo que aconteceu foi um flash daqueles de que a quinta temporada foi tão pródiga e que convenientemente jogou os losties de 1977 para 2007, deixando toda a ilha em uma mesma faixa temporal (ainda não vimos Bernard e Rose mas não tenho porque imaginar que também eles não tenham voltado para 2007). A bomba não explodiu, todos estão com a moral baixa e Juliet e Sayid, para piorar, estão à beira da morte.

A morte de Juliet serve para dar uma encorpada e uma espinha muito real à rivalidade que sempre existiu entre Sawyer e Jack – o primeiro prometendo matá-lo e claramente transtornado, mas ainda sem entrar de vez em um estado de luto. Em minha opinião, poderiam ter começado a temporada com Juliet já morta. A única cena da Elizabeth Mitchell na premiere não acrescenta nada de real e é piegas demais (“Você explodiu a bomba? Por quê???” OI, porque estava caída e fudida n’um fundo de poço?? “Porque queria que você tivesse uma chance” Ok than. E o “Beije-me” à beira da morte?). Não quero ser insensível, veja bem, mas achei gratuita e meio de mau gosto. Mas me engano: teve uma coisa significativa: antes de morrer Juliet diz que tem algo de importante a revelar a Sawyer e depois de enterrá-la ele obriga que Miles tente ouvi-la. A frase que Juliet queria ter falado – mas trocou pelo “Me beije” – é apenas “Funcionou”. Um indicativo de que a outra realidade é para valer? E como Juliet, de todos eles, saberia disso?

Mas os losties não têm muito tempo para ficar lamentando a morte de Juliet. Sayid também está se esvaindo em sangue e precisa de alguma ajuda, que um abatido Jack admite que não é capaz de dar. Entra em cena Jacob, que aparece para Hurley, admite que morreu “uma hora atrás” e o instrui para levar o iraquiano ao templo e buscar a salvação. Os nossos heróis não são muito bem recebidos no templo, que finalmente conhecemos, mas quando Hurley menciona a palavrinha mágica, Jacob, a coisa muda de figura. Finalmente podemos ver que dentro do case da guitarra que Jacob deu ao Dude há um imenso ankh, que parece impressionar os guardiões do templo – liderados anacronicamente por um japonês.

Sayid passa pelo ritual de cura enervante do pessoal do templo – constitui em ser afogado em uma água suja dentro do templo – mas não retorna e o japonês o dá como morto… Só para ele ressucitar no final, quando seus amigos o lamentavam – e o pessoal do templo tentava levar Jack à força para uma CONVERSA PRIVADA. “O que aconteceu?”, pergunta o iraquiano atordoado. Também não sabemos dizer, caro amigo…

Ainda na ilha, temos o desenlace da morte de Jacob em si. Um Ben totalmente perdido finalmente percebe que foi usado e a audiência também percebe que o Flocke, além de ser realmente o Monstro, é alguém extremamente temido – a cara de Richard quando os dois se encaram diz tudo. Essas cenas foram das melhores do episódio – desde o Terry O’Quinn dando medo, até Ben sendo uma pecinha no tabuleiro, o ataque brutal a Bram – nunca vimos o Monstro ser tão efetivo assim -, Richard também apavorado etc. Que correntes o Flocke se referia? Seria Richard um escravo no Black Rock? Acho provável. E enquanto o Falso Locke sai por cima da carne seca nessa premiere – querendo voltar pra casa. WHAT THE HELL? -, o verdadeiro Locke continua mortinho e ainda é lembrado em um discurso bonito, mas um pouco triste, por parte daquele que tomou seu corpo. O Flocke foi embora com Richard – e agora, o que farão Ben, Sun, Ilana, Lapidus? Eles se encontrarão com os outros, que estão escondidos no Templo?

Quanto ao universo LA, digamos assim, não estou certa de como me sinto. A maioria das cenas parece apenas uma piscadinha para os fãs e entendo que essa linha deve servir para pensarmos até que ponto realmente podemos mudar nosso destino, mas narrativamente me parece meio redundante. Admito que estou um pouco curiosa para ver onde Kate e Claire vão parar, por exemplo, mas, como disse, me parece que os produtores aproveitaram mais uma chance de serem nostálgicos e ficarem reafirmando os mottos de cada personagem – Kate a fugitiva, Jack o controlador etc. As únicas coisas realmente interessantes que vimos aqui foram Desmond estando no avião (e depois não estando mais, aparentemente) e a conversa ao final, já no aeroporto, entre Jack e Locke. Foram os únicos momentos significativos de fato e não apenas de piscadinhas, citações e homenagens durante essa revisitação do Piloto.

Evidentemente, como e se essas duas linhas narrativas vão se cruzar passa a ser a grande pergunta da série. E o quão real são cada elas? E como as duas serão interligadas ao longo dos episódios? Apenas aludindo, como achei que foi um pouco nessa premiere? Ou servindo para iluminar realmente os personagens, como os flashbacks e flashforwards sempre fizeram? Elas correrão independentes, uma refletindo a outra ou o quê? Aqui vemos um Jack abatido sentindo que há algo errado enquanto se olha no espelho e logo em seguida o vemos, a cara da derrota, na ilha. A relação entre os tempos narrativos sempre foi um dos fortes de Lost e espero que continuemos com isso bastante forte – mais do que meras alusões.

Ao todo, uma premiere muito forte, divertida, triste e cheia de respostas, como imagino que continuarão sendo os próximos episódios, e ainda, claro, levantando mais questões.

ALEATORIEDADES
– Makes you wonder, né? O que quer que a Jughead (?) tenha detonado levou a ilha a se afundar mas não causou grandes mudanças na vida dos losties. Claro que isso é a narrativa, eles precisavam por exemplo estar todos – ou quase – naquele vôo para LA, mas ainda assim. Evidente que não sabemos que cadeias de evento foram desencadeadas e realmente a princípio se imagina que a não construção da cisne só afetaria os losties impedindo a queda deles na ilha, mas sempre tive a ideia de que havia uma motivação no fato de ELES terem caído lá e que uma mudança na ilha provocaria mudanças na vida deles também – e alguns personagens estão de fato mais diretamente ligados ao local, como Charlotte, Miles, até o Faraday, Widmore. Todos não apareceram na realidade LA.
– Que vibe meio Damages essa sensação “Como será que chegamos aqui?” ao ver a ilha afundada. Fora a vibe Fringe dessa coisa de universos paralelos.
– Tô crendo que a season vai ser skater, mas achei a premiere meio JATE.

Lost
ABC
Sexta temporada
Episódios 1 e 2
Escritos por Damon Lindelof e Carlton Cuse
Dirigidos por Jack bender

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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