survivors – 02×01 – episode 1

A volta de Survivors, depois de tantos meses de incertezas, especulações e ansiedade, acabou me pegando de surpresa. E que surpresa boa! Depois da concisa e impactante primeira temporada, a mera ideia de ficar sem uma continuação era torturante. Mas a BBC não foi tão malvada: nós pudemos ver o que acontece com Abby depois que ela é sequestrada pelos enigmáticos cientistas, podemos ver o que acontece com Greg depois que leva um balaço no peito e tudo o mais. E a série volta exatamente de onde parou: depois de uma pequena rememoração, estamos no topo do prédio, o helicóptero levando Abby e em meio ao choque de tudo Greg sendo baleado.

Anya tenta salvar o amigo e faz o que pode, mas um estilhaço da bala ainda pode chegar a aorta e matá-lo. Para remover a ameaça, ela precisa de acesso a instrumentos cirúrgicos, que como aponta a amedrontada Sarah implica em ir a um hospital, antro de DOENÇA na situação atual. Enquanto Anya, Tom e Al vão até o hospital tentar providenciar o que for possível para fazer a OPERAÇÃO TOSCA no Greg, Sarah fica pressionando a ferida de Greg, com Najid fazendo-lhe companhia.

No hospital as coisas parecem que vão ser rápidas – Tom fica vigiando na frente, os outros dois entram e logo acham o que levar -, mas daí, meus amigos, aquela conversa de que DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM vira verdade. O hospital simplesmente rui, deixando Anya e Al soterrados. Em pânico, Tom volta para pedir ajuda de Sarah e eles se lançam a um trabalho ingrato de tentar resgatar os companheiros. Eles acabam conseguindo ajuda de um pessoal que passava ali – e descobrem que eles causaram a implosão do local, preocupados com possíveis doenças que poderiam estar ali e não querendo sair do centro urbano.

É extremamente angustiante toda a cena. Anya e Al, soterrados, ele pensando em desistir, falando o que qualquer um falaria naquela hora: quero morrer, de que vale viver desse jeito etc. Anya tenta incentiva-lo. Al, afinal de contas, é um personagem terno, mas um pouco trágico, no sentido de que nunca teve nada de real – a coisa mais real de sua vida é sua amizade com Najid. Ele diz a Anya que gostaria de se apaixonar, expondo o vazio emocional que foi toda sua história, e pergunta se ela ama Tom. Nessa hora acho meio boring. Preferia que não jogassem Anya para esse lado, mas ela faz a linha ele-acha-que-sou-especial aka tem medo da queda, de decepcioná-lo. É óbvio que a maneira com que Tom com se relaciona com ela não é muito saudável – tem algo de idolatria e obsessivo mesmo – e é natural que isso a assuste, mas do jeito que foi colocado achei meio plano.

Aí entra a coitada da Sarah. Ela já parece mortificada em ver como Tom está transtornado pela possibilidade de algo acontecer com Anya. Ela já se sente inútil, covarde e sem propósito de uma maneira geral. E aí ela mais uma vez tem que usar seu corpo como moeda de troca para conseguir ajudar os amigos. Ela apanha e é virtualmente estuprada e é possível ver um pouco de machismo em toda a história – ela ainda faz tudo para agradar Tom, no final das contas – mas não acho que chega a ser um ponto. A história de Sarah não é sobre isso. Mas eu sinceramente espero que reservem algo de bom para ela – porque todos apanham, mas se seguram uns aos outros ou até têm alguma leveza, mas ela só leva, leva, leva. Em parte, claro, é porque ela é alguém sem muita generosidade e naturalmente um pouco egoísta e tem dificuldade em se relacionar com os outros – muitas vezes ela faz as coisas pelo grupo porque tem que fazer ou porque se sente coagida pelos outros, não é algo que parte dela. De qualquer maneira, Sarah está perdida e quer mudar as coisas, mas não sabe como. O vírus disseminou seu mundo quando ela era uma jovem bonita e algo inconsequente e logo em seguida ela conseguiu algum conforto e segurança usando sexo como moeda de troca e continua a parecer uma maneira default de seguir adiante, sim, sempre…

No final, todos voltam à casa onde deixaram Greg e Anya consegue cuidar dele. Na ausência de todos, as alucinações de Greg aumentaram – ele reviveu todo o fim de seu casamento, sua esposa arrumando outro, seus filhos sumindo – e ele ficou atormentado pelas lembranças. Achei meio forçado o cara levar um balaço daqueles e no outro dia já estar vivão, mas ele se levantou pronto para ir buscar por Abby. Não sei como eles vão fazer isso, mas é o primeiro objetivo, embora não infinito – eles já enxergam que uma hora terão que desistir se não aparecerem resultados. Ele também já “volta” com sangue no olho, revelando a todos que Tom é assassino e exigindo que ele vá embora. Anya ensaia defender o cara, mas o próprio Tom só sabe viver agindo como se fosse a bala que matou Kennedy (eu sei, eu sei, é uma defesa etc) e vai embora, dizendo que eles não vão conseguir se defender sem ele e sua arma. O que acho contestável – eles são um grupo fraco de qualquer maneira, com Tom ou sem Tom…

E chegamos aqui na hora de tratar de Abby, que é que ocorre de realmente eletrizante nesse episódio. Abby logo acorda numa cama, depois de ter sido dopada, amarrada, blablabla. Ela percebe que foi sequestrada e o médico chefe da parada, Whitaker, explica que eles sabiam da chegada do vírus um pouco antes (não deu para salvar ninguém mimimi mentiras e mentiras) e agora buscam uma vacina, ela é única por isso e isso, eles querem estudá-la e tudo o mais…

Depois aprendemos que a intenção deles é usar o sangue de Abby para fazer um antítodo que deixe que eles voltem “por até 3 meses”. Não sabemos quem são eles, nem para onde querem voltar (o “mundo real?”) e um dos médicos dissidentes, aquele que relutava em matar a mulher na temporada passada, tenta libertar e alertar Abby – ele falha e é preso, mas ela fica com a pulga atrás da orelha, mas o que pode fazer? Os caras estão planejando reinfectar Abby para fortalecer ainda mais seu sistema imunológico e sabe Deus que tempos difíceis a aguardem, e fica toda a curiosidade para saber quem é essa gente, de onde é aquele postal ao final e tudo o mais.

É uma estreia sólida, embora se bata com alguns problemas de ritmo. Nós queremos estar nessa história, queremos saber para onda vai, de onde veio, e não tem muito erro. Fico satisfeita com isso, sim, mesmo com o episódio ficando mais arrastado e dosado de maneira louca de vez em quando. Não é nem questão de ritmo lento per si, mas às vezes o ritmo é desnecessariamente atrasado. Mas nada que comprometa. Bem vinda de volta, Survivors! Bem vindos de volta Abby, Greg, Tom, Anya, Sarah, Al e Najid. Senti falta de todos vocês!

Survivors
BBC
Segunda temporada
Episódio um
Escrito por Adrian Hodges
Dirigido por Jamie Payne

Veja também:
Survivors

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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