grey’s anatomy – 06×12 – i like you so much better when you’re naked

Todo mundo destruindo esse episódio fóruns afora, mas eu confesso que gostei, embora esteja longe de ser Grey’s em seu melhor. Muita coisa ruim está acontecendo? Está, mas certamente não é “BRIGA DE CASAL”. Amigos, esse pessoal não tem seis anos de Grey’s nas costas? Deixa todo mundo brigar, o bicho pegar, a casa cair. Muito pior é esse alcoolismo caído do Chefe. Na verdade, juntando um monte de desentendimento amoroso, a volta da Izzie e essa trama do Chefe que mostra um lado mais ambicioso de Derek é fácil ver porque os fãs não ficaram satisfeitos: nada disso é campeão de audiência.

Eu, particularmente, como shipper Alex/Izzie, como alguém que ainda gosta da Izzie mesmo com todas as atrocidades que estão fazendo com a personagem para acomodar as folgas da Katherine Heigl (e, indo mais além, como alguém que até mesmo GOSTA da KH, rs), estava curiosa para ver esse episódio, o último que a atriz gravou antes de sua licença maternidade. Quer dizer, a promo dava esperança Alex e Izzie mas eu sabia que a atriz ia dar uma sumida (deve voltar em MARÇO quem curte), então não me pegou como surpresa que o casal Stevens-Karev tenha deixado as coisas num ponto ruim e só me resta torcer para que consigam superar isso eventualmente.

O tema do episódio foi, no cerne da questão, o que é importante para as pessoas. É o trabalho, é o casamento? Todos os personagens se viram questionando o que pesava mais, para onde a ambição os levava. Ambição que levou gente como o adorável Derek Sheppard a ser chamado de McAss nesse episódio. Sim, porque assim que descobre por Meredith que o Chefe está, de fato, bebendo, Derek fica on firah para denunciar para o conselho. É aquela coisa: é o certo a se fazer, mas também é algo muito conveniente para ele profissionalmente, e não tem como fazer sem parecer um pouco sujo. Meredith apela para o casamento dos dois ao menos duas vezes para impedí-lo e, no final, Derek acaba colocando a esposa numa situação de sinuca de bico e que, na verdade, tem nuances de uma chantagem. “Se eu denunciar eu viro Chefe, se eu virar Chefe recontrato a Izzie”.

Meredith, que passa todo o episódio tentando empurrar Izzie para Alex e vice-versa, fica profundamente dividida. Ela não quer denunciar o Chefe, que confiou nela, mas também não consegue dizer não para a possibilidade de ter Izzie de volta, de ver a amiga ajeitar as coisas no seu próprio casamento. Irritada, ela acaba concordando com Derek. O Chefe, por sua vez, também meio que estava usando Meredith, ia colocá-la para fazer o trabalho duro em uma cirurgia, e certamente se valia do escudo a que ela se prestava a ser, e Mer também, como coloca Derek no final, estava satisfeita de conseguir realizar uma cirurgia que, se o Chefe não estivesse bebendo, jamais faria. No final melancólico dos dois, quando Meredith aponta a ambição do marido, Derek devolve com um “somos iguais” que não parece tão injusto – embora Meredith tenha se levado para sua situação de coração mais aberto e com um pouco de condescendência, longe da premeditação do McDreamy.

Outra pessoa que aqui, e sempre, segue guiada pela ambição é Christina. Ela retira o que disse para Teddy logo no início do episódio, mas ao longo do tratamento de um paciente que prefere morrer a perder seu talento para cantar, ela resolve assumir para a cirurgiã que ela, também “escolhe seu talento”. Todo o episódio Yang serve de voz dos escritores, mastigando o episódio para a gente, mas de uma maneira que não parece obnoxious como QUASE SEMPRE. Ela questiona os amigos sobre o que eles escolheriam: a cirurgia ou o amor. Izzie, fazendo a média com Alex mas também por ela ser daquele jeito, é a única que escolheria o amor – um magoado Alex diz que “amores vêm e vão” e até Meredith assume que ficaria com a profissão.

Claro que Teddy se embebeda e acaba deixando escapar pra Owen, que vai na casa de Cristina e faz a linha “vou te mostrar o que é amor”. Eu simplesmente não entendo o apelo de Owen. Não chega para mim de lado nenhum. Yang abrindo a porta irritada pelo sumiço dele e depois os dois tendo um momento terno não me toca em nada. Não parece real. Espero que a ambição de Yang a leve bem para longe desse cara.

Eu até invejo um pouco gente que é tão cega pela profissão, na verdade é mais do que profissão, é a vocação da pessoa, né. Eu meio que fecho com a Izzie – trabalho é trabalho, algo do qual “você sai de” e não “vai para”, como ela coloca. Você perde um, você acha outro. Não por acaso, de todos nossos internos originais Izzie é a que sempre se questiona se tem vocação, se está no caminho certo, se é o que deveria estar fazendo. O que é uma merda para uma profissão que exige tanto, mas com o que posso me relacionar totalmente.

Izzie está stranged o episódio inteiro, parecendo sobrar em toda a sala que entra, em toda conversa que interrompe. Como telespectadora, ela também já parece um pouco alguém estranho, é como se nossa relação com ela estivesse um pouco formal. Mas, de qualquer sorte, depois de ser meio colocada de lado por Alex, sua saúde acaba os reunindo novamente. Primeiro, Alex assume que dormiu com outra pessoa e Izzie diz que vão superar e pede que ele continue a seu lado. Mais tarde, quando comemoram os bons resultados dos exames dela, eles têm uma cena bonita e impactante. Já que eles têm que manter a Katherine Heigl longe, custa se esforçarem para fazerem cenas como essa? Porque é muito lame Izzie voltar e simplesmente ficar dizendo de um modo totalmente plano “Eu estava errada em te culpar” – tudo foi tão absurdo nessa coisa de Izzie culpando Alex pela demissão que nem gosto de pensar. Alex dá um passa fora em Izzie, que começa super doce, mas que no final, mesmo com toda elegância, não deixa de ser agressivo por seu CONTEÚDO.

Izzie está câncer-free e diz que “é como se nunca tivesse acontecido”* e Alex replica que aconteceu, que ela ficou doente, eles se casaram, ela foi demitida, ela foi embora… E nesse processo ele, Alex, amadureceu e agora sabe que é um bom homem, bom demais para ser tratado da maneira como foi tratado por Izzie. “Eu mereço alguém que fique”, diz ele, desejando sorte e tudo de bom para ela, mas pedindo que vá embora e recomece sua vida. É bastante implacável, mas dá peso e credibilidade a tudo que Alex passou durante a ausência de Izzie – da parte dela, continuo o insondável vazio (analogamente, a interpretação da Katherine Heigl nesse episódio foi toda no automático **).

Izzie resolve atender ao pedido do marido, mesmo com as súplicas de Meredith para que ela fique, em outra cena bonita. “Foi só um lugar que trabalhei”, diz Izzie, meio que como se convencendo também de que é perfeitamente possível recomeçar onde quer que seja – ainda que estivesse toda preparada para voltar, mesmo sem o emprego no Seattle Grace.

Sobrou algum casal pra Shonda bater a porta na cara? Sobrou, claro: Lexie volta a si pós-fim, bebedeira e sexo a loka, admite para Callie que ama Mark, fica admirando o cara aqui e ali e finalmente tenta conversar com ele… Só para os dois admitirem que dormiram com outras pessoas e Mark não conseguir lidar com o fato. Eu entendo o que ele deve estar pensando (“Me deu um fora e foi pra cama com outro”), porque de fato foi a Lexie quem deu o fora. Mas na hora que ele abre a boca para dizer “Enquanto eu estava cuidando da minha filha doente…” acabou. Oi, você não estava cuidando da sua filha, você estava pegando a Addison, como coloca a Lexie, mesmo que seja pela tensão, dor pós-pé ou o diabo a quatro. É uma posição machista e um pouco incongruente com Sloan, mas foda-se né.

Todo o tempo temos uma história de humor duvidoso mezzo fofa que funciona bem, novamente a cargo de Callie e Arizona – a cota de casal feliz de Grey’s por agora, como admitiu a Shonda Rhimes. Ainda nos dão uma cena sempre boa da amizade Callie e Mark e ficamos com isso de coisas boas no episódio. Mas, bom, assim é Grey’s, né? Deixa o céu desabar!

* Esse plot de “é como se o câncer nunca tivesse acontecido” se aplica PERFEITAMENTE a brothers & sisters. Nenhum efeito colateral so far – Grey’s até teve.
** MEIO SPOILER ALERT – diz o Ausiello que tá no feeling de que 1) a Katherine Heigl quer se mandar (surpresa) e 2) mais importante, a ABC estaria na vibe liberá-la antes do fim do contrato (que vai mais uma temporada). Espero sinceramente que não. Izzie é um contraponto do qual eu sinto falta nos episódios de Grey’s. Mas vejamos, né.

Grey’s Anatomy
ABC
Sexta temporada
Episódio doze
Escrito por Tony Phelan e Joan Rater
Dirigido por Donna Deitch

– Pior cena do episódio: Miranda falando que o chefe “não está mais lá”. Todos os tons errados. Morri um pouco.

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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