friday night lights – 04×05 – the son

um episódio antológico de friday night lights por muitas razões; eu demorei para escrever sobre porque não sabia – e meio que ainda não sei – como fazer jus ao que vemos nesses impecáveis 40 minutos (bom, tenho uma reclamação apenas, mas chegaremos lá). acho que quando vimos no episódio anterior que o pai do matt tinha morrido e depois de 4 anos de fnl, sabendo que o saracen tá para sair da série, todo mundo estava esperando que “the son” fosse denso, heartbreaking e daqueles PARA CHORAR – e é exatamente isso que temos.

ver matt saracen lidar com o luto pela morte do pai que mal teve chance de conhecer é pertubador e emocionante, especialmente com uma atuação tão inspirada do zach gilford, que tem a chance de pavimentar sua saída da série com um trabalho sensacional. vemos matt se recusando a crer que o pai, tão sisudo, era o “cara engraçado” da tropa, se apegando ao bem estar da avó, tendo uma “noite com os garotos” que termina com ele embriagado insistindo para ver o corpo do pai – e o olhar terrificado que dá quando, a gente percebe, ele vê que não há mais um rosto para o qual possa canalizar seus sentimentos…

porque junto com o luto e a perda, matt tem claramente uma frustração com o pai. é muito triste que o pai dele tenha morrido sem que eles tenham tido a chance de resolver seus problemas, a clara sensação de abandono pela qual o garoto sempre passou. no jantar na casa dos taylor, quando ele olha para aquele prato de comida toda “amassada”, eu pelo menos estava pensando nos restos do pai dele que nem tinha visto, só imaginado… e ele se descontrola e fala sobre como sempre se esforçou para fazer o certo, para não sentir ódio de ninguém… e a gente, que acompanha a história desse garoto que tão bem exemplica friday night lights, sente aquilo ali com ele…

matt conta com o apoio dos taylor, claro – com tami sendo a pessoa certa para resolver aspectos práticos da situação e não permitir que ele seja depenado por um serviço funerário caro, eric aparecendo na hora certa e ficando em silêncio na hora certa, e julie sempre lá, se oferecendo para ver um filme ou aceitando quando matt diz coisas horríveis impensadas como “essas coisas acontecem. hoje, está acontecendo comigo. algum dia vai acontecer com você”. ela fica claramente abalada com tudo mas em nenhum momento deixa de apoiar o namorado. a única coisa meio chata nisso tudo é que meio que não usam a mãe dele para nada – e ela está lá há algum tempo, ajudando a cuidar da avó, sendo presente, colaborando. perderam a chance de dar um momento de coração para os dois, de mostrar que a mãe agora é alguém com quem ele pode contar. ele tem nos taylor uma espécie de família substituta – eric sempre foi uma figura paterna – mas acho que seria um toque interessante mostrarem mais a mãe dele.

no mais, o episódio tenta adequar os outros plots ao redor deste tema. temos um pouco de futebol no início – quando o time perde, mas começa a se delinear o papel de quarterback para vince – e acompanhamos os altos e baixos de vince, luke e becky. o primeiro é escolhido um dos jogadores da semana e, paradoxalmente, tem que lidar com situações complicadas em casa – falta água e comida. numa editada meio estranha (o maior problema da temporada so far), logo em seguida vemos que a solução de vince para isso é sair com calvin (aquele que foi expulso do time) para ter uma aula de como roubar carros. é interessante, though, ver como ele adequa um ensinamento daqui para seu discurso diante das crianças – ele e jd conversam com uma liga juvenil por conta de serem os jogadores da semana. “fique calmo. faça. seja pago”, diz o garoto, que claramente fica assustado com o nível de influência que está tendo agora – a cara dele diante de todas aquelas crianças é de puro pânico.

becky, por sua vez, continua se jogando fortemente em tim. eu entendo o ponto de muitos telespectadores: becky é muito irritante. e, sim, ela tem muita coisa em comum com tyra. mas vamos ao que ela trás de diferente: becky é provavelmente a primeira personagem feminina de fnl que é essencialmente sem auto-confiança e, bem, que não tem exatamente a beleza correndo por ela. eu não acho, por exemplo, que jess seja muito bonita – mas ela tem aquela confiança e atitude de uma pessoa que é considerada bonita e é apreciada. becky não tem isso. ela é desajeitada, ela quer as coisas com muita intensidade e ingenuidade, às vezes parece que nem ela sabe o que quer. ela tem um objetivo muito específico, também – ser cantora -, que é algo que deveria guiá-la, porque deus sabe que a falta de objetivos é o que faz a determinação morrer no meio, mas é como se o próprio vazio da sua vida a pertubasse e a impedisse de se concentrar for real nisso. ela quer, ela tenta, ela faz – mas parece faltar algo. e, claro, ela tem daddy issues. ela é muito adolescente – apesar de ter meio que se criar, por conta da família desestruturada, como quase todos os outros, ela parece mais adolescente do que eles. acho becky muito crível e estou disposta a seguir o caminho da personagem, especialmente porque acho que estão construindo o relacionamento dela com tim de uma maneira delicada e sutil – ela claramente quer algo romântico, afinal tim meio que pede isso, e ele quer evitar a todo custo e tenta assumir uma postura meio pai-irmão mais velho que fica ali na fronteira. quero ver onde isso vai dar.

tim já havia tentado empurrar becky para luke e aqui vemos uma aproximação dos dois – meio que causada pelo momento de decepção que ela está passando, mas ele não parece notar. luke é um personagem tão tipicamente fnl – ele é meio que uma mistura de jason e matt – e sinceramente ele AQUECE MEU CORAÇÃO. aqui vemos uma tentativa de reaproximação dele e dos antigos amigos panthers, para depois eles seram separados de novo – porque já estão de fato em pontos diferentes da vida. e fizeram essa storyline de uma maneira tão crível – a idiotice de j.d. foi tão bem trabalhada, não ficou nada repentina, abrupta, forçada. ficou só parecendo o adolescente bobo e inseguro que ele é, que não entende porque o amigo está vendo as coisas de maneira diferente agora. gostei muito.

no todo, um episódio muito forte de FNL. vá em paz, sr. saracen.

friday night lights
nbc/directv
quarta temporada
episódio cinco
escrito por rolin jones
dirigido por allison liddi

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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