survivors


tem essa cena em survivors… (versão 2008) temos al & naj, uma dupla formada por um jovem rico e esbanjador e um menino muçulmano, unidos pela situação desesperadora, bem, eles estão em uma das muitas expedições atrás de comida ou qualquer coisa que valha a pena ser encontrada, quando naj avista uma pequena propriedade rural, galinhas etc.

enquanto a criança fica totalmente excitada, o olhar no rosto de al é, não sei, um algo entre o desespero e a decepção. ele olha para o galinheiro como algo que não faz parte de sua gramática e agora é sua realidade. ele, que admitiu que o que mais sente falta da vida passada é seu laptop, e que em uma das expedições fez questão de providenciar jaquetas e camisetas estilosas. tudo bem, o fútil estava sendo fútil e a criança sendo criança – enquanto al estava na butique, naj foi para uma loja de doces. lá, foi atacado pelo proprietário e, n’uma briga que se seguiu, al acabou empurrando o senhor, que bateu a cabeça e morreu. de volta para o grupo, al pede que naj não comente com ninguém do ocorrido. nessa mesma sequencia, eles encontram com uma terceira deles, anya, qye havia acabado de saquear algumas casas: “faz a gente se sentir como ladrões, não é?”.

de volta à cena que me trouxe aqui e começou esse post: al observa naj correndo em meio às galinhas, feliz. ele mesmo pula desajeitado a cerca e vai se unir ao menino. eles correm e brincam um pouco, naj radiante porque vão poder começar com o plano de criar animais, e então al cai no chão, sem forças, e começa a chorar, lamentando ter matado um homem. sentido, naj fica ao lado dele, a mão no ombro do amigo, em silêncio. não há o que se falar: no dia do acontecido, ele já havia dito que fora um acidente e que eles deviam rezar pela alma do senhor morto, enquanto al evitou o tema.

é tão bonita essa cena; não é só o arrependimento, a morte do velhinho… começa no olhar de inadequação, arrasador, que al dá ao local, e culmina com a sensação de culpa, sim. survivors tem disso, união de pessoas improváveis, aquela velha questão de o que acontece com os homens em meio a este tipo de catástrofe, como a humanidade vai diminuindo e diminuindo (e claro que boa parte sempre vai ser cretina… nem menciono dexter, o cara que tem uma arma e busca deixar sob seu comando tudo que acha de útil, deixando os outros à sua mercê, mas já no episódio 1 vemos anya andando na rua e passa uma carro – da polícia, btw -, ela acena e o carro TENTA ATROPELÁ-LA só na maldade). enfim.

vejam a cena em que abby, a mulher que os convence de que é melhor viverem juntos do que cada um por si, descobre que o marido e os vizinhos estão mortos – e implora aos céus que não seja a única sobrevivente… o fardo carregado por eles é pesado, como bem no início a então dra. anya alertara. mesmo diante do discurso que anya fez de que seria um pesadelo para quem sobrevivesse (sozinhos, inseguros, tento perdido todos, sem recursos etc), a amiga contaminada chora e diz que “não importa, preferia continuar viva”. assim é GENTE né. tão absurdamente apegada à vida.

mesma cena, versão de 1975

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Autor: carol

there ain't no catcher in the rye vamo se jogar!

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